627 Set 2023_Capa

Nossos antepassados

Yuka Sakai

As ruas da cidade estão cheias de ipês e outras árvores floridas, fazendo-nos lembrar que, no mês de setembro, acaba o inverno e começa a primavera. O Brasil é uma terra abençoada com grande variedade de espécies de plantas, algumas ainda desconhecidas e não catalogadas.

Ultimamente, o clima no planeta está imprevisível, com calor extremo, com incêndios florestais atingindo até as cidades, ou com tufões em algumas regiões do planeta. O inverno no Brasil, além do frio, tem dias de muito calor e as flores não esperam a chegada da primavera.

Setembro também é o mês em que se celebra o Culto às Almas dos Antepassados. É a natureza transmitindo alegria ao nos lembrar dos nossos entes queridos. Mesmo sabendo que a alma é eterna, sentimos saudades das pessoas que se foram.

Nascemos e vivemos neste mundo com o corpo que Deus-Parens nos emprestou e, um dia, nós o devolvemos, quando morremos. Chamamos a morte de retornamento, pois passamos pelo ciclo da vida de nascimento e morte. Devolvemos o corpo, mas a alma é nosso único bem e permanece viva para sempre, renascendo e retornando por várias gerações para evoluir espiritualmente.

Em um dos episódios da Vida de Oyassama: 110. Almas Eternas, há o relato sobre a alma após a morte do corpo: 

Quando a pessoa que servia Oyassama disse: “A senhora deve estar se sentindo só”, ela respondeu: “Não sinto um mínimo de solidão, pois Kokan e Shuji vêm me visitar.”

Embora estivesse sozinha, às vezes, podia-se ouvir do quarto sua voz conversando com alguém.

Certa noite, dirigiu-se a Hissa Kajimoto, que estava servindo-a: “Como Shuji e Kokan regressaram de muito longe, as minhas pernas ficaram doloridas. Pode massageá-las?”

Ainda outra vez, após tomar três doses de licor de arroz, disse: “Shozen e Tamahime estão bebendo comigo.”

A cada nascimento, esquecemos o que vivenciamos nas vidas passadas, como se um véu encobrisse tudo. Esse esquecimento é uma providência de Deus, pois se lembrássemos de acontecimentos traumatizantes ou se fôssemos protagonistas de sofrimento alheio na vida passada, seria insuportável viver com esse peso, essa culpa. A culpa é paralisante e a vida não seria produtiva. 

Sempre achamos que somos um exemplo de pessoa, que somos almas perfeitas. E quando as coisas não acontecem como desejado, nos revoltamos, achando que Deus foi injusto. Mas não nos lembramos do mal que causamos a alguém. Assim como temos nosso lado luz, temos também nosso lado sombra.

Apesar desse véu do esquecimento, Oyassama nos ensinou a ter satisfação sincera por tudo que acontece, bom ou ruim, e aceitar com alegria o que está nos mostrando, pois isso é algo que temos que trabalhar em nós mesmos e mudar a nossa conduta.

Ter satisfação do que nem sabemos é muito difícil, mas através desse sentimento de aceitação dos acontecimentos presentes e passados, vamos evoluindo espiritualmente e mudando nosso destino.

E como ensinou Oyassama ao mestre Izo Iburi: “Mesmo as coisas consideradas realmente retas por todas as pessoas do mundo, quando verificadas com a régua do céu, apresentam falhas.”

(Yuka Sakai)



Nossos antepassados

Yuka Sakai

As ruas da cidade estão cheias de ipês e outras árvores floridas, fazendo-nos lembrar que, no mês de setembro, acaba o inverno e começa a primavera. O Brasil é uma terra abençoada com grande variedade de espécies de plantas, algumas ainda desconhecidas e não catalogadas.

Ultimamente, o clima no planeta está imprevisível, com calor extremo, com incêndios florestais atingindo até as cidades, ou com tufões em algumas regiões do planeta. O inverno no Brasil, além do frio, tem dias de muito calor e as flores não esperam a chegada da primavera.

Setembro também é o mês em que se celebra o Culto às Almas dos Antepassados. É a natureza transmitindo alegria ao nos lembrar dos nossos entes queridos. Mesmo sabendo que a alma é eterna, sentimos saudades das pessoas que se foram.

Nascemos e vivemos neste mundo com o corpo que Deus-Parens nos emprestou e, um dia, nós o devolvemos, quando morremos. Chamamos a morte de retornamento, pois passamos pelo ciclo da vida de nascimento e morte. Devolvemos o corpo, mas a alma é nosso único bem e permanece viva para sempre, renascendo e retornando por várias gerações para evoluir espiritualmente.

Em um dos episódios da Vida de Oyassama: 110. Almas Eternas, há o relato sobre a alma após a morte do corpo: 

Quando a pessoa que servia Oyassama disse: “A senhora deve estar se sentindo só”, ela respondeu: “Não sinto um mínimo de solidão, pois Kokan e Shuji vêm me visitar.”

Embora estivesse sozinha, às vezes, podia-se ouvir do quarto sua voz conversando com alguém.

Certa noite, dirigiu-se a Hissa Kajimoto, que estava servindo-a: “Como Shuji e Kokan regressaram de muito longe, as minhas pernas ficaram doloridas. Pode massageá-las?”

Ainda outra vez, após tomar três doses de licor de arroz, disse: “Shozen e Tamahime estão bebendo comigo.”

A cada nascimento, esquecemos o que vivenciamos nas vidas passadas, como se um véu encobrisse tudo. Esse esquecimento é uma providência de Deus, pois se lembrássemos de acontecimentos traumatizantes ou se fôssemos protagonistas de sofrimento alheio na vida passada, seria insuportável viver com esse peso, essa culpa. A culpa é paralisante e a vida não seria produtiva. 

Sempre achamos que somos um exemplo de pessoa, que somos almas perfeitas. E quando as coisas não acontecem como desejado, nos revoltamos, achando que Deus foi injusto. Mas não nos lembramos do mal que causamos a alguém. Assim como temos nosso lado luz, temos também nosso lado sombra.

Apesar desse véu do esquecimento, Oyassama nos ensinou a ter satisfação sincera por tudo que acontece, bom ou ruim, e aceitar com alegria o que está nos mostrando, pois isso é algo que temos que trabalhar em nós mesmos e mudar a nossa conduta.

Ter satisfação do que nem sabemos é muito difícil, mas através desse sentimento de aceitação dos acontecimentos presentes e passados, vamos evoluindo espiritualmente e mudando nosso destino.

E como ensinou Oyassama ao mestre Izo Iburi: “Mesmo as coisas consideradas realmente retas por todas as pessoas do mundo, quando verificadas com a régua do céu, apresentam falhas.”

(Yuka Sakai)