644 2025.fev
opinião
tempo de deus
Tooru Sato
Muito se fala sobre como os nossos antecessores realizavam a dedicação a Deus, acumulando e proporcionando méritos a seus sucessores, filhos, netos e até bisnetos.
Nossos pais, avós ou bisavós trabalharam arduamente, passando por situações inimagináveis para contentar Deus-Parens e Oyassama. Dedicaram a sinceridade, acreditando nas graças futuras.
Dias atrás, conversando com duas amigas, fiquei impressionado com suas histórias e gostaria de compartilhar com vocês.
A senhora A, durante décadas, vem se dedicando na cozinha da Sede Missionária. Ela tem uma neta que mora no Japão e desejava muito cursar a Universidade de Tenri, vinculada à Sede da Igreja. Porém, o custo da mensalidade era muito elevado. A Universidade de Tenri concede anualmente cinco bolsas de estudo. Mas, um dos critérios da seleção é a dedicação da família na fé. A Universidade consultou o primaz anterior da Sede Missionária do Brasil, reverendo Yuji Murata, sobre a fé dos avós da candidata. O primaz, conhecendo a dedicação da senhora A, durante décadas, respondeu à universidade que poderia conceder a bolsa tranquilamente para a candidata. Desta forma, a neta conseguiu ingressar na universidade.
A senhora B tem como dedicação viajar todos os meses de carro para a sua igreja, percorrendo uma distância de 1.200 km. Ela chega na igreja com dias de antecedência, para ajudar nos preparativos da cerimônia mensal. Após a cerimônia, ela permanece na igreja até concluir a limpeza. Ainda, depois disso, ela vai direto para Bauru, onde ajuda na cozinha, nos preparativos da cerimônia mensal da Sede Missionária. Através dessa dedicação, seu filho recebeu graças maravilhosas, conseguindo, inclusive, estudar nos Estados Unidos.
Certa vez, minha mãe, ao participar de uma palestra, ouviu o palestrante comentar que vira um senhor oriental usando um jaleco happi com a escrita igual a dela, isto é, filiado à mesma igreja-mor. Assim, minha mãe resolveu viajar ao Paraguai, mesmo sem saber onde a pessoa morava, levando alguns mantimentos, achando que talvez eles estivessem necessitando de ajuda.
Chegando lá, ela foi observando os lugares e, justamente, numa parada em um posto de gasolina, a porta do ônibus começou a abrir e fechar. Entendendo ser um sinal, ela desceu e avistou um oriental a quem perguntou sobre o referido fiel. Por incrível que pareça, essa pessoa deu as informações e minha mãe pôde se encontrar com essa família. Minha mãe, sem saber falar o português e muito menos o espanhol, foi com a certeza de que Deus-Parens e a nossa-mãe, Oyassama, a estavam guiando.
Em outro relato impressionante, minha mãe disse que resolvera ir para a cidade de Assaí, no norte do Paraná, para fazer uma visita a uma família de fiéis para ministrar a concessão divina, Sazuke. Como ela não conhecia a cidade, o fiel marcou de se encontrar com ela na rodoviária. Ela não tinha o endereço, apenas sabia que eles moravam em um sítio situado atrás do cemitério. Chegando, como o fiel não estava presente e já começava a escurecer, ela resolveu pegar um táxi. Sem endereço e sem saber falar ‘cemitério’, ela fez o sinal da cruz e disse “morreu”. Assim, o taxista, achando que ela queria ir ao cemitério, se dirigiu para lá, quando minha mãe avistou o carro do fiel que vinha em sentido contrário.
Muitos de nós reclamamos, achando que é custoso e trabalhoso dedicar um tempo ao Caminho da fé. Entretanto, as histórias de minhas amigas e, também, as passagens relatadas pela minha saudosa mãe fazem reforçar o sentimento de gratidão que devemos dedicar a Deus-Parens e Oyassama, em todas as oportunidades.
Meus pais vieram ao Brasil a pedido do condutor da igreja-mor, para realizar a divulgação no ultramar. Meus pais, sem pensar muito nas adversidades e tendo no coração a firme convicção dos ensinamentos, trabalharam muito, dedicando o tempo para contentar verdadeiramente a Deus-Parens e Oyassama. Tenho plena certeza de que as graças maravilhosas que minha família tem vivenciado são resultados dos esforços, sacrifícios e dedicações de meus pais.
*é diretor da Associação Infantojuvenil e
condutor da Igreja Imigrantes.