644 2025.fev
Capa
como um papel branco
Liliana Noboku Murata
Certa vez, ouvi de um mestre, em uma palestra preparatória para o seminário de estudantes - edição universitária, promovida pela Comissão dos Encarregados dos Estudantes da Sede da Igreja, sobre a importância de, toda vez que iniciarmos uma atividade, ‘sempre voltarmos o nosso sentimento como se fosse uma folha de papel branca’. Trata-se de algo simples, mas com um significado extremamente intenso em sua essência.
Ao realizarmos uma análise da nossa própria vida, ela é composta de inúmeros desafios e experiências, que, muitas vezes, nos deixam algumas cicatrizes ou marcas em razão das várias adversidades e vivências.
Essas marcas podem ser lições valiosas, mas também podem carregar pesos que dificultam o próprio progresso e bem-estar. Porém, tudo depende das ações diárias, pensamentos e intenções, que irão moldar o nosso destino e influenciar a nossa jornada espiritual. Quando compreendermos que os desafios e experiências impostos tratam-se de manifestações do profundo amor de Deus-Parens para conosco, que deseja nos incentivar à reflexão, poderemos trabalhar para melhorar o nosso espírito e, consequentemente, a própria vida.
Seja no que for, não existem dores nem doenças em absoluto. São a instância e orientação de Deus.
(ED II-7)
No mundo, dizem sofrer-se de males e dores, sem saberem que são indicações e orientações de Deus. (ED II-22)
‘Voltar a ser como uma folha de papel branca’, simboliza a oportunidade de recomeçar, de renovar e de se libertar das amarras do passado.
Assim como uma folha de papel branca, que está pronta para receber novas histórias, ideias e criações, nós também podemos nos abrir para novas perspectivas e possibilidades. Esse processo de renovação envolve perdoar a si e aos outros, deixar de lado arrependimentos e ressentimentos, e abraçar o presente com um coração e mente abertos e claros.
A prática de boas ações, como a compaixão, a generosidade e a honestidade, contribui para a criação de pontos positivos como ser humano em evolução. Essas ações, não apenas beneficiam os outros, mas também nos ajudam a desenvolver virtudes e a alcançar um estado de paz interior.
Por outro lado, ações negativas, como o egoísmo, a mentira, o ódio, o rancor e a violência, geram pontos negativos, que podem resultar em sofrimento, entre outros desafios futuros. Para alcançar esse estado de renovação, é importante cultivar a gratidão e o desapego, permitindo-nos focar no que realmente importa e prepararmo-nos para escrever novas páginas de nossa jornada.
Entretanto, voltar a ser como uma folha de papel branca não significa esquecer o passado, mas sim, aprender e utilizar as experiências para construir um futuro mais brilhante e cheio de possibilidades. É um convite para nos reinventarmos e vivermos de acordo com nossos valores mais profundos, e com a liberdade de criar uma vida que reflita a própria verdadeira essência.
Estamos no terceiro ano de atividades do período dos três anos, mil dias rumo aos 140 anos do ocultamento físico de Oyassama, a ser celebrado no dia 26 de janeiro de 2026. Ainda é tempo de recomeçar como se fosse uma folha de papel branca, reavaliando as prioridades e os sentimentos, com o intuito de regressar a Jiba, e se apresentar a Oyassama mostrando o quanto pôde evoluir como pessoa.
(Liliana Nobuko Murata)