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palestra

Jiba, local único e especial

Rev. Yoichiro Miyamori

No dia de hoje, contando com numerosas pessoas que regressaram para reverenciar a Grande Cerimônia de Janeiro do ano 188 da Revelação Divina (2025), acabamos de realizar, sem nenhum contratempo, o Serviço de Kagura e o Teodori. 

A partir de agora, realizarei a palestra e gostaria da atenção de todos por alguns instantes.

Chegamos a dois terços das atividades dos três anos, mil dias rumo aos 140 anos do Ocultamento Físico de Oyassama, nos restando apenas um ano.

Na Grande Cerimônia de Outubro de 2022 (ano 185 da R.D.), o Shimbashira promulgou a Instrução 4. Tendo como base a disposição espiritual contida na Instrução, cada um determinou o seu espírito para, assim, dar início às atividades decenárias dos três anos, mil dias. 

Os dias passam tão rápido que sinto que esses dois anos passaram num piscar de olhos.

O significado das atividades decenárias dos três anos, mil dias está expresso na Instrução: “de modo a corresponder ao amor maternal de Oyassama, cada yoboku deve avançar concentradamente no caminho da evolução espiritual elevando a consciência como instrumento de Oyassama.”

A celebração do Ocultamento Físico de Oyassama foi realizada no primeiro ano, no quinto ano, no décimo ano, e depois a cada dez anos, sendo realizada 15 vezes até hoje. 

Todos os decenários celebrados até hoje também possuem a intenção de retribuir as graças recebidas de Deus-Parens e Oyassama, e mostrar o espírito evoluído de cada yoboku que trilhou o caminho da vida-modelo de Oyassama.

Assim, em cada época oportuna, foram realizadas atividades como: a construção do Recinto Sagrado e da Residência de Oyassama; a construção do prédio Oyassato-Yakata; a ampliação da área da Residência; entre outros. “Evolução espiritual através da construção formal”. Neste sentido, trabalharam também determinando uma meta para demonstrar uma imagem mais evoluída. Movidos por esta determinada meta, todos se dedicaram bastante para alcançá-la.

Contudo, para os 140 anos do Ocultamento Físico de Oyassama, não há algo concreto a ser construído.

Para este decenário, cada igreja, cada yoboku estabeleceu a sua própria determinação espiritual, de como trilhar e praticar o ensinamento neste período de três anos, mil dias.

Entretanto, isso pode ser um tanto desafiador. 

Quando é solicitado que pense e faça por conta própria, é bem difícil.

Na Indicação Divina de 24 de janeiro de 1889, temos: “(…) quem sempre está e para sempre fica sob os cuidados dos pais, não tem qualquer préstimo. A evolução dos filhos até os três anos não se pode deixar fora do alcance das mãos. No caminho da dedicação sincera à salvação também, se ficarem somente a indagá-lo para todo o sempre, não terão quaisquer préstimo. No local vizinho, uma pessoa adulta é mesmo como a que viveu até três anos de idade. Para qualquer pessoa que seja, a dedicação sincera à salvação, a dedicação sincera à concessão (Sazuke), tenho entregado gradualmente.”

“Não tem qualquer préstimo” significa “não adianta nada”. Ou seja, não adianta ficar dependente dos pais para sempre. Mesmo as crianças, até os três anos, dão trabalho, mas depois, nem tanto. Esta é uma Indicação que diz: “No caminho da fé também, de nada adianta ficar perguntando a todo momento o que fazer. Mesmo sem ter ninguém que compreenda os ensinamentos do Caminho a sua volta, foi concedido ao yoboku o Dom do Sazuke para a dedicação sincera à salvação. Por isso, caminhe firme tendo a vida-modelo como meta”. 

Contando com a celebração dos 140 Anos do Ocultamento Físico de Oyassama, esta será a 16ª vez.

Hoje, dentre os yoboku, há aqueles que seguem por muitos anos e outros que seguem há várias gerações. 

As atividades decenárias para os 140 Anos do Ocultamento Físico de Oyassama são para que todos os yoboku, juntos, tenham consciência da própria situação e função e, possam trabalhar dignamente como yoboku.

Nós, seguidores, sempre prometemos seguir a vida-modelo de Oyassama.

A partir do momento em que Oyassama foi estabelecida como “Sacrário de Deus-Parens” em 1838, Ela percorreu incessantemente o caminho da vida-modelo.

Nesse caminho, começou caindo na profunda pobreza, passando pela oposição e incompreensão dos parentes e moradores da vila, pelos insultos e ataques de ascetas e malfeitores, e por severas repressões e sacrifícios passados na prisão. Tudo isso não é senão pelo desejo de transmitir o que seria a intenção de Deus-Parens e mostrar que existe o caminho da salvação através das providências divinas.

Mesmo incompreendida por todos, eu acredito que o caminho que a Oyassama iniciou sozinha para transmitir e fazer as pessoas compreenderem é o caminho da vida-modelo.

Antes de ser estabelecida como “Sacrário de Deus-Parens”, não havia uma pessoa sequer que não admirasse a Oyassama, reputada por ser bondosa e atenciosa com todos. Mas, após ser estabelecida como sacrário, os parentes, amigos e a vizinhança, vendo-a mergulhar na pobreza, começaram a zombar, dizendo que estava enlouquecida ou possuída por espíritos malignos.

Ainda que continuasse a receber severas críticas e oposição dos parentes, dos amigos e da vizinhança, Oyassama não parava os atos de caridade, abrindo mão dos bens materiais, status e da tradição da família Nakayama.

Como será que estava o espírito de Oyassama nesses momentos em que continuava caminhando seguindo a intenção de Deus-Parens, sem que ninguém lhe desse qualquer atenção?

Após 23 ou 24 anos desde a Revelação Divina, começaram a surgir pessoas que veneravam a Oyassama. Contudo, a oposição e os ataques de monges, médicos e outros continuavam, motivados por inveja e ressentimento.

As perseguições e interferências das autoridades se intensificaram mais ainda quando começou a conceder o Sazuke, a ensinar o Serviço Sagrado e a avançar na escrita da Escritura Divina, Ofudessaki.

Oyassama mesmo em idade avançada, até os 89 anos, passou por dezenas de sacrifícios na prisão, suportou os invernos mais frios e os verões mais quentes.

No inverno, suportou o rigoroso frio no assoalho gelado; no verão, levando picadas de mosquito nas celas, à noite. Como será que estava o espírito de Oyassama?

Acredito que havia unicamente o amor maternal, que está além da compreensão humana, de desejar salvar as pessoas. É por isso que, qualquer que fosse o caminho, tudo era pelo seu amor maternal.

Nós nos comprometemos a seguir o caminho da vida-modelo. Mas como podemos fazer isso?

Penso que seja trabalhar incansavelmente com o intuito de que as pessoas venham a compreender o desejo de Deus-Parens. Creio que é nesse esforço de fazer compreender, transmitindo com perseverança e sem desistir, que se encontra o significado de trilhar a vida-modelo. 

Nós nos comprometemos a “demonstrar a Oyassama uma imagem mais evoluída” e colocamos isso como uma meta. Ainda, diz-se que o Decenário é a época oportuna para evoluir. Então, o que devemos fazer para que possamos “evoluir”?

Dentre os aqui presentes, há os que concluíram o Curso de Formação Espiritual, e outros que já foram professores do curso. As pessoas que foram professores deste curso são Condutores de Igreja ou pessoas que são próximas a esta posição. Após os professores passarem pela experiência de três meses, pergunto-lhes “como foi o curso?”, e muitos respondem: “Foi uma experiência muito valiosa.”

Isso me parece uma contradição, já que os professores estão na posição de ensinar, e os alunos, de aprender. No entanto, quando os professores dizem: “foi uma experiência valiosa”, suponho que eles querem expressar no sentido de que amadureceram, mudaram e compreenderam algo novo. O que significa um professor amadurecer?

Significa que, ao ajudar os alunos a aprenderem o Serviço Sagrado, compreenderem os ensinamentos, o sentimento de Oyassama e a receberem as graças de Deus-Parens, os próprios professores amadureceram.

E fazer as pessoas compreenderem não é uma tarefa simples. 

Por mais excelente que seja a palestra, os melhores materiais ou o ambiente proporcionado, aquele que não compreende, não compreenderá. Por isso, o esforço de pensar em encontrar maneiras de transmitir os ensinamentos e o desejo de Oyassama a cada pessoa correlaciona-se à própria maturidade.

Na Indicação Divina de 7 de abril de 1907, temos:

“Até os locais distantes, sem exceção. Se demorarem, irão se atrasar. Se acharem que devem espargir a fragrância a esta pessoa, façam, mesmo que seja na rua. Doravante, esta é a missão.”

Mesmo em encontros casuais, não conseguimos ficar muito tempo conversando e nem contar em detalhes, mas o importante é não deixar as oportunidades escaparem. 

Desejar que compreendam sempre o ensinamento de Deus-Parens, transmitir a intenção de Oyassama, acredito que são condutas de trilhar a vida-modelo e a base para mostrar uma imagem mais evoluída. Se trilhar diligentemente a vida-modelo desejando transmitir a intenção divina do Parens, com certeza Oyassama dirá: “como tem evoluído!”. 

Então, o que devemos transmitir? Na Escritura Divina, a palavra “mediadores” aparece quatro vezes. Na Parte X, versos 28, 49, 95 e 97. 

Meditem determinando sinceramente o espírito. Mediadores, peço-lhes o firme empenho.     (X-28)

Com que pensamento estão ouvindo esta explanação? Desejo instruir isto aos mediadores. (X-49)

Em razão disso, deixo pedido firmemente aos mediadores. Fiquem cientes.     (X-95)

Mediadores, acalmando plenamente o espírito no dia a dia, comecem depressa.     (X-97)

Quando dizemos mediadores, vem a nossa mente aqueles que ministram as Preleções do Besseki, mas se pensarmos de forma mais ampla, mediador é aquele que, representando a Oyassama, transmite os ensinamentos de Deus-Parens. Se pensarmos que é aquele que ministra o Dom do Sazuke, todos os yoboku também são mediadores.

Nos quatro versos da Escritura Divina mencionados, eles terminam com a expressão: “peço-lhes o firme empenho”, “desejo instruir”, “fiquem cientes” e “comecem depressa”. O que exatamente está sendo “pedido” e o que está sendo solicitado ao ser dito “comecem depressa” para os mediadores?

A Parte X da Escritura Divina foi escrita em junho de 1875. Pelo calendário lunar, refere-se ao mês de maio de 1875, e quando falamos disso, nos referimos à identificação de Jiba. Os versos da Escritura Divina que acabei de ler foram escritos nessa ocasião da identificação de Jiba.

No verso anterior e posterior ao verso 28, há menções ao “Serviço do Kanrodai” e daqueles que o executam, “o Pessoal do Serviço”. No verso anterior e posterior ao verso 49, encontramos muitas menções relacionadas à “origem”, como “A origem deste mundo” e “A origem da humanidade”.

E, os versos que envolvem os versos 95 e 97 mencionados da Escritura Divina, aparecem correlacionados ao “Registro”.

O “Registro” refere-se às histórias contadas por Oyassama, em que Deus narra, começando pela “história da criação original”, sobre a doutrina básica da “salvação”.

Portanto, o que Oyassama aponta ao dizer “Peço-lhes o firme empenho” e “Comecem depressa” é sobre o estabelecimento do “Kanrodai”, sobre a execução do “Serviço de Kagura” e sobre “Jiba”.

Ou seja, Ela nos pede para falar e transmitir sobre a “Jiba”, “o local da origem deste mundo”, “o local do início da criação humana”.

Cada um de nós, yoboku, somos um mediador que transmite a intenção e o espírito de Oyassama. E o que devemos transmitir é para “ir a Jiba”.

Como é ensinado que: “Se acharem que devem espargir a fragrância a esta pessoa, façam, mesmo que seja na rua.” Mesmo que seja algo simples, creio que seria suficiente dizer: “Não gostaria de conhecer Jiba?”

Afinal, ensinou que não é necessário realizar algo difícil ou fazer algo sem nenhum modelo. Com suas simples palavras e desejo, este é o momento de dizer: “Vamos juntos a Jiba”.

Na Indicação Divina de 11 de outubro de 1895, temos:

“O que se diz origem, o que se diz Jiba, é algo único neste mundo. Quanto mais se pensa, maior a razão.”

Para aqueles que moram longe, pode ser difícil regressar frequentemente a Jiba devido à distância. Mesmo aqueles que moram próximos, podem encontrar dificuldades devido à rotina atarefada. No entanto, o importante é o sentimento com que regressamos a Jiba e o sentimento com que devemos continuar a pensar sobre Jiba durante este ano que antecede o decenário de Oyassama. Ainda, o quanto conseguimos transmitir aos outros esse pensamento de regressar “a Jiba”. 

Não importa onde estejamos no mundo, se pensarmos em Jiba como único e especial, as providências de Deus-Parens, com certeza, irão se enraizando cada vez mais.

Em 26 de janeiro de 1887, quando Oyassama estava para ocultar o corpo físico, o Shimbashira I disse: “Que fiquem para executar o Serviço somente aqueles com o espírito decidido a suportar qualquer intervenção policial e disposto a sacrificar a própria vida ao desempenhá-lo.” O registro histórico menciona que, naquele momento, os instrumentos musicais utilizados no Serviço eram o koto, o shamisen e o kotsuzumi.

O Serviço (Sagrado) de Kagura foi realizado por nove homens e uma mulher. A Dança das Mãos dos doze hinos foram desempenhados por homens. Mesmo assim, no livro Vida de Oyassama – Minuta, está registrado que Oyassama ouvia satisfeita o som alegre dos instrumentos musicais.

Mas, o que exatamente a deixou satisfeita naquele momento? Certamente, foi a determinação e o forte sentimento dos antecessores.

Mesmo sem as condições ideais, presumo que o motivo de sua satisfação se encontre na determinação inabalável de trilhar devotado unicamente a Deus, de dedicar-se unicamente ao Serviço e seguir unicamente a Jiba.

Na Indicação Divina de 23 de dezembro de 1897, temos:

“Vejam a razão de Oyassama que se ocultou sem ver a prosperidade, sem ter coisa prazerosa durante a sua vida. Se houver sinceridade, tanto quanto dedicarem, não haverá falha. Já devem compreender com esta orientação. O tanto quanto dedicarem, será visto a partir de agora.”

Unidos em transmitir sobre a Jiba e o espírito de Oyassama para que as pessoas possam compreender, cada um de nós, yoboku, concentrando todas as forças na “divulgação” e “salvação”, com certeza, veremos o mundo das providências de toda a dedicação desempenhada.

Até o Decenário, como seguidores do Caminho, vamos nos dedicar, no dia a dia, com ânimo e alegria na divulgação e na salvação, amparados na vida-modelo de Oyassama.

Muito obrigado pela sua atenção.

     *é diretor-geral de Assuntos Religiosos da Sede da Igreja