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doutrina

caminho da oyassama

Yuka Sakai

Quando eu era criança, morávamos no sítio, na divisa dos municípios de Bauru e Piratininga. Éramos uma grande família que se dedicava aos trabalhos agrícolas e de criação do bicho da seda. 

O dia começava bem cedo, antes do sol nascer. Meu tio caminhava até o sítio vizinho para pegar leite de vaca e, algumas vezes, eu me aventurava a ir junto. Saíamos bem cedo, andando uma trilha na mata, sentindo a brisa fresca da manhã. Ao chegar de volta para casa já estava amanhecendo. Ao leite acrescentava-se água para aumentar o volume e servir no café da manhã. Assim foi minha infância. Apesar de ser uma época de poucos recursos, sinto muita saudade.

A época em que Oyassama se tornou sacrário de Deus-Parens, no ano de 1838, o Japão era governado pelo Xogunato de Tokugawa (1603 a 1867) e a Era Tenmei (1781 a 1788) e a Era Tempô (1830 a 1843) foram as piores épocas, com péssimas colheitas e escassez de comida. Em algumas regiões, milhares de pessoas morreram de inanição, até mesmo caídas nas margens das estradas. 

O último período do xogunato e o início da Era Meiji foi um período extremamente agitado. A situação que se encontrava a sociedade na época refletiu em contínuas repressões sobre a Tenrikyo.

Em 1868, após a queda do xogunato, ocorreu a restauração do governo Meiji. O imperador retoma o poder, restabelecendo a monarquia. Apesar de ser uma época de grandes mudanças, não aconteceu o mesmo com as religiões. 

Com o crescimento da Tenrikyo, aumentou a repressão das autoridades e a interferência da polícia, proibindo a realização do Serviço Sagrado. Porém Deus-Parens, apressava a sua realização, pois era o Serviço da salvação mundial, devido ao seu amor parental de querer uma vida transbordante de felicidade para todas as pessoas do mundo.

Nos 50 anos a partir de 1838, até o ocultamento físico em 1887, Oyassama ensinou os Hinos Sagrados, escreveu a Escritura Divina e, ainda, houve as orientações através das Indicações Divinas.

Oyassama trilhou o Caminho, demonstrando pessoalmente; passou por sofrimentos indescritíveis, guiando e mostrando aos filhos o Caminho da salvação, cujo objetivo é a vida plena de alegria e felicidade. A este exemplo de vida, chamamos de vida-modelo. É como se a Oyassama fosse desbravando a mata, andando pessoalmente, formando uma trilha, mostrando que a caminhada é possível a qualquer pessoa, a qualquer seguidor. 

Se transporem ladeiras e montanhas, e sarças espinhosas, e trilhas em precipícios, e espadas…

                                                             (ED I-47)

Verão ainda no meio de chamas e abismos profundos. Se os ultrapassarem, terão um caminho estreito. ED I-48)

Se passarem pelo caminho estreito passo a passo, terão um amplo, que é certamente o real.

                                                             (ED I-49)

Esta narração não é senão a do próprio caso, que é o da devoção única a Deus.             (ED I-50)

Ao caminhar por uma trilha, algumas vezes nos desviamos, sem saber como retomar o caminho certo. O mesmo acontece na nossa vida, quando nos deparamos com um problema e não sabemos como resolvê-lo. Então nos lembramos da vida-modelo de Oyassama e sentimos o amor de uma mãe ensinando seus filhos pelo exemplo. 

Assim como andei pela trilha na mata para buscar o leite fresquinho, Oyassama nos deixou um guia para viver e caminhar pela vida, sem nos desviarmos e cujo objetivo é a vida plena de alegria e felicidade. 

(Yuka Sakai)