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doutrina i

satisfação e moderação

Guilherme Massashi Tanaka

Na Tenrikyo, é ensinado: 

“Gratidão, satisfação e salvação são as chaves para a vida plena de alegria e felicidade.”

Ou seja, para termos uma vida feliz, devemos ter gratidão pela vida, por estarmos usando este corpo tomado emprestado, por termos saúde, pelas pessoas e coisas ao nosso redor. Devemos nos sentir satisfeitos com o que possuímos e com as coisas que nos acontecem. Devemos salvar o outro para podermos ser salvos.

Dentre essas três chaves para a vida alegre e feliz, gostaria de refletir juntamente com todos sobre a satisfação, do ponto de vista da moderação. 

Um dos significados da satisfação é estarmos contentes com o que possuímos, pois conseguimos dar valor a tudo o que temos naquele momento. Alguns podem até pensar que conseguimos sentir a satisfação quando temos bens em abundância. Porém, quando se tem muito, acabamos nos esquecendo de valorizar as coisas e, consequentemente, nós as utilizamos sem moderação. Caso não tivesse esses bens em abundância, certamente, teria de utilizá-los com mais moderação. 

Oyassama sempre nos ensinou a termos moderação, independentemente do fato de se ter muito ou  pouco, de ser um bem valioso ou simples. 

No livro “Episódios da Vida de Oyassama”, diversos são os momentos em que Oyassama ensinou sobre dar importância a todas as coisas.

Por exemplo, no episódio 112. Ser amável em primeiro lugar.

“Certo dia, Yoshie Iburi ouviu de Oyassama:

(...) ‘Que cuide para não fazer uma pessoa se sentir inútil.’ ‘Não desperdice nem mesmo uma folha de verdura.’ ‘Mesmo as sobras a nutrirão. Isto não é miséria.’”

Independentemente de ser muito ou pouco o que se tem, não podemos dizer que alguém tem a real satisfação pelas coisas se não as utiliza por completo, se inutiliza algo que ainda poderia ser aproveitado. Ter satisfação e moderação significa utilizar coisas sem as desperdiçar.

Outro episódio, 64. Se esticar delicadamente:

“Certo dia, quando Tokiti Izumita (conhecido como Kumakiti), sentindo saudades, regressou a Jiba, Oyassama estava alisando um pequeno papel amarrotado sobre o joelho e disse-lhe:

‘Mesmo este papel amarrotado, se for esticado delicadamente, ficará bonito e poderá ser usado de novo. Não há nada que seja desnecessário.’”

Mesmo quando terminamos de usar algo, quando um bem já completou a sua missão de uso, esse ainda continua tendo o seu valor. Oyassama nos ensinou a valorizarmos as coisas, analisando a sua essência e a ressignificando, para que possamos utilizá-lo de outra forma.

Mais um exemplo, episódio 138. Valorize todas a coisas: 

“Oyassama passou por mais de dez sacrifícios na prisão e Guissaburo Nakata também acompanhou-a por algumas vezes.

Numa destas vezes, ela conseguiu folhas de papel usadas. Fez cordões torcendo as tiras de papel e trançou uma sacola para pôr um garrafão. Era realmente bem feita e resistente. Na ocasião de sua volta do presídio, concedeu a sacola ao Nakata e disse:

‘Tenha muito zelo com todas as coisas. Utilize-as bem, valorizando-as. Todas as coisas são concedidas por Deus. Que tenha isto como um tesouro da casa.’”

Este mundo é o corpo de Deus-Parens; a natureza e tudo que está ao nosso redor nos é concedido por Deus. Assim, uma outra forma de dar valor às coisas que não podem ser mais utilizadas da mesma forma é transformá-la em algo novo e aproveitar ao máximo a sua existência.

Ao priorizar a satisfação genuína com o que possuímos, Oyassama nos ensina a cultivar a moderação em todas as áreas da vida. Ao praticarmos a moderação, não apenas evitamos o desperdício, mas também reconhecemos que os recursos da natureza, embora pareçam abundantes, são limitados. 

A Terra, corpo de Deus-Parens, nos concede tudo o que precisamos, e cabe a nós retribuir esse presente com cuidado e responsabilidade.

As palavras de Oyassama nos lembram que a verdadeira satisfação não se encontra na acumulação de bens, mas na capacidade de encontrar alegria e contentamento com o que já possuímos, utilizando com moderação tudo da melhor forma possível, sem desperdício e com gratidão.

(Guilherme Massashi Tanaka)