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meu cotidiano

antes, reformar o espírito

Adalberto Akira Ohama

Meu nome é Adalberto Akira Ohama, mais conhecido como Dal Ohama. Sou o segundo condutor da Igreja Fortaleza Tyuo e represento a quarta geração da família no Caminho.

Sou o mais novo de quatro irmãos. Nunca esteve nos meus planos suceder o meu pai, condutor anterior da igreja; acredito que nem nos planos dele.

Nasci e cresci em Olinda/PE. Estudei em escola católica com costumes religiosos. Além disso, nunca tive muito contato com a comunidade japonesa. 

As atividades da igreja eram obrigações para mim. Contudo, desde criança sempre foi muito fácil e divertido para mim aprender e tocar os instrumentos musicais do Serviço. E lembro que algumas pessoas comentavam que eu iria ser o futuro condutor.

Sempre gostei muito de estudar. Na juventude, fui me afastando dos compromissos da igreja, justificando estar ocupado com os estudos e o trabalho. 

Fiz dois cursos superiores: engenharia civil e arquitetura. Me formei e segui a arquitetura.

Aos 35 anos, depois de muitos problemas de saúde, gerados por trabalho excessivo, resolvi dar uma reviravolta e ir para o Japão. Comecei trabalhando em fábricas. Depois, passei a trabalhar como professor em escolas internacionais, onde me reencontrei com minha natureza profissional.

Meu pai, em seu último regresso à Terra Parental, Jiba, em 2014, passou mal e foi internado. Morando no Japão, acompanhei sua trajetória hospitalar até seu retornamento (falecimento), quando fiz a promessa de assumir a Igreja.

Encerrei meu contrato com a escola e comecei o processo de preparação para habilitar-me a condutor de igreja. Assim, em 2015, mudei-me para Tenri. 

Cursei o Shuyoka, Curso de Formação Espiritual da Sede; depois, participei do Corpo de Hinokishin e fiz os cursos de habilitação para Mestre do Caminho e de condutor de igreja.

Em 2016, recebi a permissão de segundo condutor da Igreja Fortaleza Tyuo e a cerimônia de posse ocorreu em outubro do mesmo ano.

Por causa da debilidade física do condutor anterior, a igreja ficou muitos anos sem atividades. 

Inicialmente, resolvi me dedicar exclusivamente à reconstrução da igreja, dedicando-me unicamente ao Caminho. Reconstruir a igreja sob todos os aspectos exigiu minha dedicação mais intensa, não só ocupacional, mas principalmente espiritual.

Comecei com uma divulgação assertiva e formação gradativa dos fiéis. E na retomada do papel da igreja dentro da Tenrikyo do Brasil como um todo.

Hoje, também sou colaborador das atividades da Regional Nordeste e sou diretor da Comissão dos Encarregados dos Estudantes da Sede Missionária. 

A reconstrução da Igreja também passa pela sua retomada dentro das atividades da Tenrikyo na região e no País, seguindo a razão de como deve ser.

A minha formação em arquitetura tem sido de fundamental importância nesse processo. Assim, resolvi ajudar outras igrejas e seguidores com desafios construtivos, dando suporte técnico, como consultorias e planejamento nas edificações e reformas.

Nunca esqueço as palavras de um mestre que me dizia: “a reconstrução da igreja começa na reconstrução do seu espírito.”

O discernimento do que precisa ser feito e de como deve ser o serviço de uma construção física carrega uma reflexão espiritual do procedimento como um todo.