Olívia Tikae Tanaka
As pessoas seguem a Tenrikyo por diversos motivos. Algumas, por terem recebido a salvação pessoalmente, ou porque um antepassado seu foi salvo. Há também aquelas que, simplesmentte, sentem uma profunda identificação com este ensinamento.
É natural que quem acredita na Tenrikyo, ame-o, sinta que lhe faz bem e queira que seus filhos também sigam o mesmo caminho. Porém, fé é uma experiência individual e não pode ser transmitida pelo simples fato de os pais desejarem que os filhos também a sigam.
Na Assembleia Geral da Associação Feminina, realizada em abril passado, em Jiba, o Primaz mundial, Shimbashira, nos recordou que o objetivo deste ensinamento é a realização do mundo de vida plena de alegria e felicidade, desejado por Deus-Parens, e para concretizá-lo, o nosso caminho deve se estender por incontáveis gerações, aproximando-nos desse objetivo pouco a pouco. Continuando, ele orientou que, para que o caminho continue, é fundamental educar, guiar e formar com cuidado as pessoas que o trilharão, sendo que essa missão de guiar os filhos não é um papel exclusivo das mulheres, mas de todos nós, seguidores da Tenrikyo.
Para transmitir este ensinamento aos filhos, acredito que o primeiro passo é expressar em palavras a importância de conceitos como a gratidão a Deus por este corpo tomado emprestado, o princípio de que somos todos irmãos e o valor da ajuda mútua.
Se deixarmos a explicação de lado e orientarmos uma criança a praticar o ensinamento, como realizar o Serviço diário, participar da cerimônia mensal ou praticar o hinokishin, apenas como uma obrigação, ela se tornará uma adulta que não sente, do fundo do coração, o verdadeiro significado da prática da fé.
Por serem crianças, é natural que não compreendam tudo de imediato. Sem nos frustrarmos ou nos irritarmos, devemos lembrar que cada pessoa possui sua própria mente e seu próprio espírito. Forçar ou falar de forma agressiva não fará com que a fé floresça. Acredito que o mais importante é manter a constância e educá-los com paciência e perseverança.
Para nós, que seguimos este Caminho, a vida-modelo de Oyassama deve ser sempre a nossa referência, e isso se aplica também à transmissão do ensinamento aos filhos. Oyassama não apenas ensinou com palavras, mas demonstrou com suas próprias ações, com um sentimento de alegria e satisfação. Portanto, não basta querer transmitir a fé verbalmente; é crucial manifestar em nossas atitudes a alegria que essa fé nos proporciona.
Assim como a fé, muitas das lições mais importantes da vida, como a gratidão, a satisfação e a ajuda mútua, são difíceis de serem ensinadas apenas com palavras. Os filhos aprendem a praticar este ensinamento por imitação. A forma como juntamos as mãos para orar, o tom de voz que usamos ao falar de alguém que nos pediu uma ajuda, a paciência que demonstramos diante de um imprevisto. Além disso, o sentimento contido nessa prática é absorvido por meio da vivência e da observação contínua e diária.
Dessa forma, explicando com clareza, educando com constância e, acima de tudo, praticando a nossa fé com alegria e gratidão, acredito que este caminho continuará firme e duradouro por inúmeras gerações, até que alcancemos a vida plena de alegria e felicidade, tão almejada por Deus-Parens.
*é diretora da Associação Feminina e condutora da Igreja Marialva