Yoshimiti Matsusaki
No dia 18 de abril celebramos o aniversário dos 228 anos de Oyassama. Então, é oportuno lembrarmos de sua vida-modelo.
Quando observamos diversas crenças e religiões milenares, nestes textos, normalmente, encontramos uma estrutura que é baseada na tríade: “herói, vilão e vítima”, também bastante discutida na Psicologia.
Nestas histórias, é comum identificar inimigos, criar guerras, estruturar relações de conflito e dominação. Isso não é passado, pois as guerras existem ainda hoje. São raros os relatos em que não há heróis, vilões ou vítimas.
Histórias onde uma pessoa, sem incitar inimigos e vilões, sem colocar um herói salvador ou se vitimizar, conseguiu viver as dificuldades e encontrar a alegria, mesmo diante das adversidades, sempre ajudando e salvando os outros - é a vida-modelo de Oyassama.
Na vida-modelo, não há falas de Oyassama sobre inimigos, de se colocar como heroína ou de ser uma vítima.
É comum procurarmos culpados nas nossas relações, colocando-nos no papel de prejudicado, buscando apoio de outros. Quando percebemos a vida de Oyassama sob essa ótica, percebemos a sua plenitude apesar de todas as adversidades. Com certeza, inúmeras pessoas foram salvas, há pessoas que a ajudaram e pessoas que foram más, mas Ela nunca guardou ressentimentos.
Cada adversidade é um degrau para evolução, tornando-se oportunidades únicas para a evolução espiritual.
A vida-modelo parece ser rígida e impossível de ser vivida. Mas isso ocorre ao imaginarmos a réplica do modelo. Creio que devemos interiorizar a essência da vida-modelo. Se a vida-modelo fosse simplesmente “pobreza e fome”, hoje, quase um quarto da população mundial estaria nessa condição. Na verdade, não é isso. A vida-modelo é a condição espiritual que você passa no grupo a que pertence. Numa condição extremamente difícil, ter desapego, ajudar os outros e ter humildade. Numa condição favorecida, ter desapego, ajudar os outros e ter humildade. Não importa em que condição se encontre, é importante manter essa essência da vida-modelo.
Neste mundo, tanto os altos montes como o fundo dos vales, para o Parens, são todos seus filhos. (ED XIV-53)
Por isso, falamos muito de poeiras espirituais. É o momento de refletir sobre si mesmo. Muitas vezes falhamos quando se tem muita religiosidade, mas não tem espiritualidade e nem consciência. É triste, mas isso acontece. Mas, antes da espiritualidade há a consciência.
Consciência é refletir sobre si mesmo: se conhecer e entender por que age e reage à determinada situação. É a autopercepção e a percepção do mundo.
E a partir do momento em que se tem consciência, é possível limpar as poeiras. Isto é, se tem consciência de quanto é imperfeita, o quanto há de poeira nos momentos em que é vilão, de querer ser herói ou se vitimizar.
A Consciência é a base, a Espiritualidade é a experiência e a Religiosidade é a estrutura que potencializa.
Se não há busca pela consciência, tudo o que se estrutura acima perde sua potência. Uma pessoa extremamente religiosa, sem consciência de si, pode se esvair na formalidade e nos rituais. Por isso a consciência é muito importante. Então, a espiritualidade começa a ser exercida em qualquer local. Não necessita do espaço igreja para manifestar a fé. A fé e suas ações se fazem presentes em todos os espaços e em todos os momentos da vida.
Pessoas com um alto nível de consciência percebem a vulnerabilidade de outros a seu redor e refletem como poderiam ajudar. E, para ajudar pessoas que estão fora do convívio da igreja, utiliza palavras de fácil compreensão. A partir desse diálogo, a religiosidade se manifesta: oferecemos ministrar o Sazuke, fazer o Serviço de Solicitação, convidamos para o Serviço diário ou para a Cerimônia Mensal.
Um grande presente para Oyassama é levarmos a essência da vida-modelo a todos os lugares. Acredito que essa essência é o Espargimento da Fé e a Salvação.
*é diretor da Sede Missionária e condutor da Igreja Taimo