O Serviço Sagrado alegre cantado, tocado e dançado
Meu nome é Mariana Milan Kondo (Mari) e sou yoboku da Igreja Seiki Brasil. Sou formada em Licenciatura em Música e sou professora de Musicalização Infantil, Canto e Piano. Também participo de outros projetos de música, cantando ou regendo.
Sempre gostei de música, mas foi o Koteki que me fez considerar essa área profissionalmente. Desde que virei staff, pensava que queria estudar para poder ajudar mais, e fui fazer um curso técnico em regência. Acabei gostando e emendei a graduação em seguida.
No esporte e nas artes, é comum as pessoas pensarem que tudo é dom: que ou a gente sabe fazer algo, ou não sabe. Mas, na verdade, é preciso estudar muito para ficar bom. Mesmo quem nasce com facilidade precisa praticar bastante.
Também acho interessante que, para ser um bom músico, é preciso ser um bom ouvinte. Na escola onde trabalho, é recomendado que todas as crianças até 8 anos façam musicalização antes de começar um instrumento. Nessas aulas, incentivamos principalmente a escuta: ativa, consciente e a escuta do outro. Para fazer música boa precisamos de outras pessoas, e para tocar ou cantar juntos é necessário saber ouvir e se ajustar uns aos outros.
No coral que eu canto, não temos acompanhamento instrumental. Usando só a voz, é fácil perdermos o tom da música, e precisamos nos ajudar para manter o conjunto. Às vezes cantamos uma música tantas vezes que os músculos da voz acostumam com cada trecho. Mas, num coral, se a afinação acabar mudando, é mais importante ouvir e acompanhar a mudança do que insistir na própria memória muscular e, literalmente, destoar do grupo.
Em 2025 fui para o Japão para fazer o Shuyoka e o Curso para Mestre do Caminho. Todas as manhãs participávamos do Serviço Sagrado no recinto de reverência de Jiba. Eu sempre acho emocionante ouvir as pessoas cantando o Serviço juntas.
Em geral, quanto mais pessoas cantam juntas, mais fácil é soar afinado. Como em um show, em que milhares de pessoas dificilmente estão 100% afinadas, mas o conjunto até arrepia.
Apesar disso, em uma manhã, em Jiba isso não aconteceu. Não sei se foi o frio repentino daquele dia, mas foi um dos Serviço mais desafinados que já ouvi. Confesso que até deixei escapar algumas caretas.
Pensei: “Puxa, acho que ainda vai demorar bastante para atingirmos a vida plena de alegria e felicidade...”
E isso não tem a ver com cantar bem ou mal, ser afinado ou desafinado. Naquele dia parecia que todo mundo só queria soltar a voz, sem ouvir quem estava ao lado.
Oyassama orientava dizendo que o mais importante é realizar o Serviço Sagrado - e não é interessante que ele seja feito com música? É cantado, tocado, dançado. Nenhuma dessas coisas funciona bem sozinho, precisamos estar atentos às outras pessoas o tempo todo, ajustando-nos uns aos outros.
Hoje, no trabalho ou na banda Koteki, fico feliz quando consigo ajudar as pessoas a descobrirem como chegar um pouco mais perto disso. Não é dom, é prática.
Pouco a pouco, vamos nos ajudando a encontrar o tom certo da Vida Plena de Alegria e Felicidade.