Roberto Tadayoshi Watanabe
Bom dia a todos. Fui incumbido de uma das palestras da cerimônia de hoje. Solicito a atenção de todos por alguns minutos.
No dia 26 de janeiro, foi celebrada de forma magnífica a cerimônia de 140 anos do ocultamento físico de Oyassama. Muitos dos que estão aqui presentes estiveram em Jiba para essa celebração e voltaram ao Brasil plenamente recarregados da razão de Jiba e do amor parental de Deus-Parens e Oyassama. Outros ainda devem regressar durante este ano, principalmente nos meses de abril, julho e outubro para participar das diversas atividades promovidas em Jiba. Espero que todos consigam regressar e cumprir seus planos, apesar das várias dificuldades, como aquelas causadas pela guerra no Oriente Médio, justamente o ponto de escala de muitas pessoas que já compraram suas passagens. Vamos orar e confiar em Deus-Parens para que os conflitos possam se pacificar logo e tudo se resolva da melhor maneira possível.
No pronunciamento que fez na cerimônia dos 140 anos, o Shimbashira (primaz mundial) finalizou dizendo:
“A caminhada rumo à celebração do decenário, que podemos dizer como fora dos padrões normais, se encerrou. E agora, voltaremos à caminhada regular. No entanto, se voltar à caminhada anterior a estes três anos, de nada adiantará.”
O que o Shimbashira quis dizer com essas palavras? Refletindo um pouco a respeito dessas palavras, acredito que o Shimbashira quis dizer que, durante o período decenário de três anos, mil dias, todos fizeram um esforço adicional e concentrado no sentido de divulgar os ensinamentos e promover a salvação das pessoas, de convidar as pessoas para regressarem a Jiba, um esforço fora dos padrões normais, ou seja, um esforço extraordinário. Com o término da celebração, a tendência normal do ser humano é que todos relaxem um pouco depois do esforço extra que fizeram, e voltem ao seu cotidiano normal, ou ordinário. Mas, alerta que, se voltarmos ao nosso cotidiano regular de três anos atrás, se voltarmos à nossa vida ordinária e comum de antes do período decenário, será o mesmo que involuir, ou seja, regredir na nossa evolução espiritual. Se isso acontecer, toda a evolução que conseguimos durante este período pode se perder.
Fazendo um paralelo com a nossa vida cotidiana, temos vários aspectos em que fomos evoluindo com o passar do tempo. O telefone, por exemplo. Antigamente, só havia telefones de linha fixa. Depois, vieram os primeiros telefones celulares, do tipo “tijolão”. Será que alguém se lembra disso? Acredito que os jovens aqui presentes nem sequer chegaram a ver esses telefones mais antigos. Pouco a pouco, os “tijolões” foram diminuindo de tamanho, chegando ao ponto em que cabiam na palma da mão. Depois, começaram a surgir os telefones inteligentes, os smartphones. Acredito que a maioria das pessoas, hoje em dia, tem um smartphone, seja para trocar mensagens, seja para jogar um joguinho, seja para acessar as mídias sociais ou para assistir vídeos. Até mesmo para receber ou pagar contas, muitas pessoas utilizam o smartphone. Se perguntarmos a elas se voltariam a usar o telefone do tipo “tijolão”, creio que muitas pessoas irão torcer o nariz e se recusar a fazer isso, pois seria como regredir muito na linha de evolução dos telefones. Apesar de parecer, não estou fazendo propaganda e nem sendo patrocinado por nenhuma empresa de telefonia. Foi só um exemplo. Dessa forma, não somente em relação à comunicação, mas em relação a vários outros aspectos, como locomoção e alimentação, tudo vem evoluindo, e à medida que nos acostumamos com a evolução, não conseguimos mais voltar atrás.
Acredito que a solicitação do Shimbashira em relação à nossa forma de se conduzir no dia a dia deste Caminho vai nessa mesma linha. O “novo normal” parte do patamar que alcançamos após os três anos, mil dias de atividades decenárias. O Shimbashira quer que a nova fase de evolução espiritual se inicie a partir do ponto que conseguimos alcançar com tanto esforço, ou seja, com espírito de gratidão a Deus-Parens por todas as graças e providências que recebemos dia a dia, com a consciência de que existe uma grande intenção divina em tudo aquilo que acontece conosco e ao nosso redor e com diligência nas atividades de missionamento e salvação, pois é salvando as outras pessoas que poderemos alcançar a nossa própria salvação.
Já deixamos de ler a Instrução 4 todos os dias, mas todas as orientações recebidas nessa Instrução são ações e pensamentos que todos nós, seguidores deste Caminho, podemos e devemos praticar no nosso dia a dia, com convicção e constância como algo normal, e não somente por que é um período de atividades decenárias. Gostaria de relembrar algumas dessas orientações.
Conduzir-se voluntariamente e frequentar a igreja é algo que deve ser normal na vida de um seguidor deste Caminho. Seja para reverenciar, seja para conversar com o condutor, com a esposa do condutor, seja para pedir conselhos, para desabafar, para fazer a sua dedicação a Deus-Parens e Oyassama, tudo isso são coisas que devemos fazer dia a dia. Se a igreja a que está filiado fica distante, o próprio Shimbashira-sama já orientou que se pode procurar a igreja que esteja mais próxima. O importante é manter essa ligação com Deus-Parens e Oyassama.
Praticar o Hinokishin animadamente no dia a dia também é algo que deve ser normal na vida de um seguidor deste Caminho. A começar por um cumprimento de “bom dia” no começo do dia, pois é ensinado que “uma palavra é Hinokishin”, arrumar a roupa de cama, limpar o quarto, lavar a louça, recolher o lixo das ruas, servir um café, ceder o assento no metrô para pessoas mais idosas, tudo o que fazemos pode se tornar um Hinokishin se fizermos com alegria no coração, com espírito de gratidão a Deus-Parens. Até mesmo o fato de trabalhar numa empresa, apesar de ser algo remunerado, pode se tornar um Hinokishin dependendo do espírito com que fazemos o nosso trabalho. Se trabalhar emburrado, somente esperando dar o horário de ir embora, isto se torna apenas uma obrigação, mas se fizer com alegria, com espírito de gratidão a Deus-Parens pelo corpo tomado emprestado, animando as pessoas ao redor, com o desejo de ajudar e ser útil à empresa, de contentar as outras pessoas com o resultado de seu trabalho, seja um produto, como telefone, seja uma refeição servida num restaurante, seja um produto que se planta e se colhe, tudo se torna Hinokishin.
Empenhar-se na transmissão dos ensinamentos, principalmente às pessoas próximas, como filhos, netos, genro, nora, sogro, sogra, também é algo muito importante que deve ser normal na vida de um seguidor do Caminho. Apesar de muitas pessoas acharem que cada pessoa, cada filho tem a liberdade de escolher o seu próprio caminho, isso não nos exime da responsabilidade e do dever de transmitir aos nossos filhos o quão gratificante é seguir este Caminho, sendo vivificado por Deus-Parens dia a dia, recebendo no corpo todas as providências divinas. Ensinar a respeito da “coisa emprestada e tomada emprestada”, da vida-modelo de Oyassama, dos ensinamentos que ela deixou são atitudes que devem ser normais para nós. O mesmo se aplica à divulgação a nossos colegas do local de trabalho ou da escola.
Confortar, ajudar e solicitar a salvação das pessoas que sofrem de problemas físicos e espirituais através da execução do Serviço sagrado, seja diário, mensal ou de solicitação, também são práticas que devem ser normais e constantes na vida diária de todos os seguidores do Caminho, e não algo limitado a um período de atividades decenárias. Apenas a ministração do Sazuke é algo restrito somente aos Yoboku que receberam este dom em Jiba, mas fora isso, são coisas que estão ao alcance de todos.
Na Indicação Divina de 11 de novembro de 1888, temos:
“Se houver sempre a sinceridade no espírito, será aceito prontamente pela razão celeste e será devolvido imediatamente. A onipotência está sempre na caminhada diária de cada um.”
A palavra “sempre” tem o sentido de “ordinariamente”, “constantemente”. Ou seja, tem o sentido de ser algo normal e corriqueiro. Se tivermos constante e ordinariamente a sinceridade em nosso espírito e em nossas ações, sendo a sinceridade verdadeira o espírito que condiz com a intenção divina, Deus aceitará e concederá prontamente a providência e a graça solicitada. Por isso, para receberemos as livres e ilimitadas providências de Deus-Parens, a sinceridade com que passamos o nosso dia a dia seguindo os ensinamentos de Oyassama será determinante.
E na Indicação de 7 de dezembro de 1888, complementa:
“Não pensem onde está a onipotência. Digo que a onipotência está na existência constante da sinceridade no espírito de cada um.”
Assim, para que possamos receber a onipotente providência de Deus-Parens, é importante que a sinceridade em nosso espírito seja algo normal, diário e constante.
Esse espírito de sinceridade verdadeira é aquele que foi alcançado pela grande maioria dos seguidores que se dedicaram com afinco durante as atividades decenárias rumo aos 140 anos do ocultamento físico de Oyassama, e para que se possa continuar a receber a onipotência, ou seja, as excelentes providências e graças divinas, é importante não só manter esse espírito, mas partir desse novo patamar para uma evolução espiritual ainda maior. Acredito que essa é a base do “novo normal” a partir da qual o Shimbashira gostaria que todos nós partíssemos rumo ao nosso próximo objetivo, seja o próximo decenário, seja o aniversário de fundação da igreja ou do Dendotyo.
Agradeço a todos pela atenção dispensada. Assim encerro a minha palestra de hoje.
*é condutor da Igreja Nippaku