Jacqueline Yumi Komura
Ano passado eu tive a oportunidade de regressar a Jiba. Foi um Regresso repentino, mas muito especial. O ano de 2025 estava só começando, mas já estava se mostrando bastante desafiador.
Andei pelos corredores de interligação dos recintos de reverência e ainda fazia bastante frio. Com os pés e as mãos bastante geladas, cheguei até a Residência de Oyassama. Foram 12 anos desde a última vez que me sentei ali, diante dela. Fiz minha reverência. Perdi a noção do tempo. Compartilhei o que estava acontecendo na minha vida e pedi que me mostrasse algum sinal. Eu tinha muito a agradecer, mas tinha também muitas perguntas. Queria saber o que me faltava para que eu conseguisse construir uma família feliz.
Voltei daquele Regresso com uma ideia fixa na cabeça: a primeira coisa que eu deveria fazer quando voltasse ao Brasil era passar em consulta médica e me organizar financeiramente para fazer o congelamento dos meus óvulos. Resolvendo esta situação, eu poderia ficar tranquila para ter filhos quando a vida estivesse mais organizada.
Assim o fiz, fui ao médico logo que voltei ao Brasil. No entanto, para minha surpresa, não saiu nada como eu imaginava. Não consigo descrever o tamanho da minha frustração quando eu percebi, diferentemente dos exames colhidos até então, que aos 36 anos eu estava com uma baixa reserva ovariana e que isso poderia dificultar muito minhas tentativas de gestação. A médica me orientou a não me desesperar, pois poderia ser um mês atípico. Tarde demais. Foram quase quatro longos meses de acompanhamento, tratamento e angústia até o dia da coleta final, que resultou em um único solitário óvulo maduro congelado.
Compreender que eu poderia nunca vir a ser mãe me colocou num lugar de muitos questionamentos. Eu ficava repassando onde havia errado. E o porquê daquilo estar acontecendo comigo. Houve uma vez, após a cerimônia mensal da minha Igreja, em que fui conversar com minha condutora. Ela, em plena lucidez, aos seus 93 anos, me perguntou o que tinha acontecido. Contei-lhe toda a história e pedi que ela ministrasse o Sazuke em mim. Ela disse, com toda convicção, que eu não estava doente, só não havia recebido a Razão. Então, me perguntou (já sabendo da resposta) se eu era casada. Na minha cabeça eu era praticamente casada, já que estava noiva há 6 anos, mas entendi o que ela quis dizer e, com vergonha, respondi que não. Não precisou que ela dissesse mais nada. Alguns meses depois eu não tinha apenas o problema dos poucos óvulos, eu tinha o problema de estar solteira e com poucos óvulos.
“Quem faz conceber filhos no corpo é Tsukihi. Quem atende ao nascimento, também é Tsukihi.”
(ED VI-131)
Voltei de Jiba pensando que o tratamento de fertilidade pudesse me dar tranquilidade de construir uma família feliz. Ao meu tempo. Quando eu achasse que fosse pertinente. 2025 me ensinou que a concepção de uma vida é um verdadeiro milagre. E no que diz respeito aos milagres, Deus-Parens é quem sabe conduzir. Me mostrou que, apesar de eu já ter estudado bastante, ainda me falta muita compreensão. Talvez Oyassama esteja me mandando uma série de sinais desde nossa conversa. Possivelmente eu esteja míope, com dificuldade de enxergar pela falta de humildade, e com pouca sabedoria para as mudanças espirituais necessárias. Pode ser que, para que eu pudesse corrigir essa miopia, ela tenha me levado à estaca zero, para que eu pudesse recomeçar, sem erros espirituais.
De acordo com as estatísticas, um único óvulo congelado não é suficiente para gerar um embrião in vitro. No entanto, resgatando as aulas de Biologia, basta um único óvulo ser fecundado de forma natural para que se gere uma vida. Parece controverso. Um único óvulo: ora irrisório, ora, mais que suficiente. O que muda? O trabalho de Deus-Parens. Tudo se torna pequeno diante do imenso e incansável trabalho das Providências Divinas. Nós nos tornamos pequenos. Nossas vontades e desejos precisam alcançar a Razão do Céu. Entender isso me fez fortalecer minha Fé.
*é diretora da Associação Infantojuvenil e
yoboku da Igreja Continental