Explicação de diversos termos da Tenrikyo para melhor compreensão da doutrina
Capítulo XXVI - Razão de Oyassama Eternamente Viva
Oyassama ocultou-se fisicamente no dia 26 de janeiro de 1887. A Grande Cerimônia da primavera é realizada todos os anos no dia 26 de janeiro para rememorar esta data.
Quão chocados devem ter ficado aqueles que reverenciavam Oyassama como deusa viva e que nela se apoiavam como fonte da vida, ao vê-la diante de seus olhos com o corpo imóvel e sem respirar. Certamente, sentiram como se o mundo estivesse a desmoronar-se, reduzido a pó, sob seus pés, caindo numa profunda escuridão. Devem ter sentido um grande choque e tristeza, como se fossem lançados para as profundezas do desespero.
Deus-Parens, então, esclareceu a essas pessoas que Oyassama continua eternamente viva. Como foi explicado nos capítulos “Abrindo o Portal” e “Terra Nivelada”, Oyassama ocultou-se fisicamente; porém, ela não “faleceu” no sentido usado pela sociedade. Em vez disso, Oyassama “abriu o portal para nivelar o mundo.” Aqueles que assim escutaram, ficaram animados por estas palavras e, posteriormente, puderam ver e sentir a verdade da sua onipotente providência.
Desde então, Oyassama tem nos salvado e nos orientado sem qualquer alteração. Assim, embora não possamos vê-la fisicamente, Oyassama continua trabalhando dia e noite como se estivesse presente fisicamente, e isso foi ensinado como “Oyassama eternamente viva”. A expressão “razão de Oyassama eternamente viva” refere-se a esse ensinamento.
A “Residência de Oyassama”, localizada em Oyasato, não é um mausoléu em que está consagrada a alma da Oyassama. É a residência onde Oyassama continua residindo e trabalha noite e dia pela dedicação sincera à salvação. Portanto, não há alegria maior para nós, filhos deste Caminho, regressar a Jiba e nos encontrar com a Oyassama eternamente viva.
A razão da Concessão Divina, Sazuke, entregue aos yoboku é concedida por Oyassama através do Shimbashira. Também podemos receber o arroz abençoado, Goku, da Oyassama eternamente viva.
Ainda, como será mencionado em outro capítulo, é-nos concedido o amuleto-prova, Omamori, que é uma parte do quimono vermelho que Oyassama veste diariamente.
Na Indicação Divina, temos:
“Estou residindo até agora. Não tenho ido aonde quer que seja. Não tenho ido aonde quer que seja. Devem refletir vendo o dia-a-dia do caminho.” (ID. 17/03/1890)
Estas palavras reafirmam que a “razão de Oyassama eternamente viva” é a própria vida deste Caminho.
Capítulo XXVII - Culto de Aniversário de Retornamento e Decenário de Oyassama
Em memória às pessoas que “retornaram” (neste Caminho, o falecimento é chamado de “retornamento”, ver capítulo correspondente), é realizado o “Culto de Aniversário de Retornamento” (nensai) em datas marcantes, como o primeiro, o quinto, o décimo, o vigésimo ano, e assim por diante.
É ensinado que os seres humanos não vão para o “além” depois que morrem e nem desaparecem, mas sim, despem-se da velha veste, que é o corpo físico emprestado por Deus-Parens, devolvem-na e, de acordo com a providência, recebem emprestada uma nova veste e renascem neste mundo.
Portanto, entendemos que as almas dos antepassados renascem neste mundo dentro de 20 ou 30 anos (ou talvez num período ainda mais curto). No entanto, a vida de uma pessoa que viveu numa determinada época é, para nós, uma história e um legado inestimável e insubstituível. É graças a eles que existimos hoje. O significado do “Culto de Aniversário de Retornamento” pode ser definido como uma cerimônia para recordar o precioso percurso da vida desses antepassados, louvar suas virtudes e expressar nossa gratidão.
Oyassama ocultou-se fisicamente em 26 de janeiro de 1887. Desde então, as cerimônias de aniversário do ocultamento físico foram realizadas no primeiro, quinto, décimo, vigésimo ano, e culminando nos 90 anos do ocultamento físico de Oyassama, cujo período de celebração ocorreu de 26 de janeiro a 18 de fevereiro de 1976. (Nota de rodapé: Este livro foi originalmente publicado em 1977, no ano seguinte aos 90 anos do ocultamento físico de Oyassama.)
Contudo, as celebrações dos decenários de Oyassama são fundamentalmente diferentes dos cultos aos antepassados. Oyassama encurtou a sua vida natural e ocultou-se fisicamente devido ao seu amor maternal de desejar apressar a salvação mundial e incentivar mais rapidamente a evolução espiritual das pessoas.
Embora não possamos mais ver sua imagem física, Oyassama continua viva até hoje, trabalhando incessantemente pela dedicação sincera à salvação (ver capítulo “Razão de Oyassama Eternamente Viva”). Portanto, o Decenário de Oyassama pode ser considerado um evento único no mundo: a celebração do ocultamento físico de uma pessoa que continua viva e trabalhando.
As pessoas, por vezes, compreendem mal e usam expressões como “Parabéns pelo Decenário de X Anos do Ocultamento Físico de Oyassama”, mas o decenário, em sua essência, não é uma data a ser parabenizada. Afinal, não poder ver mais a presença física de Oyassama nem ouvir sua voz deve ter sido motivo de enorme tristeza para as pessoas daquela época.
No entanto, quando pensamos no amor maternal de Oyassama que nos protege e nos orienta, e que Ela se ocultou fisicamente para apressar a nossa evolução espiritual, não podemos deixar de nos sentir fortalecidos.
A nossa dedicação a cada dez anos, por ocasião do Decenário, deve ser a de nos tornarmos pessoas que correspondam à intenção de Oyassama, e que possamos mostrar um trabalho que esteja conforme o seu desejo. Este é o caminho primordial para retribuir ao seu amor maternal e, de fato, é a principal oferenda que podemos fazer para contentá-la.
Para nós que buscamos nos aproximar, passo a passo, da intenção de Deus-Parens, o Decenário de Oyassama é um marco insubstituível para nossa evolução espiritual.
(continua na próxima edição)