Palestra do rev. Marcos Makoto Mukai, na cerimônia mensal de junho do Dendotyo
Senhoras e senhores, bom dia!
Com grande alegria, acabamos de realizar a Cerimônia Mensal de junho da Sede Missionária. Acredito que Deus-Parens, Oyassama e os Antepassados estão felizes.
Hoje, recebi com grande satisfação a incumbência do Primaz da Igreja Tenrikyo Dendotyo do Brasil, Reverendo Alexandre Kaoru Murata. Por essa razão, solicito alguns minutos preciosos da atenção de todos os senhores. Para isso, gostaria que juntos refletíssemos sobre um tema muito especial: Dias de Alegria.
Quando ouvimos essa expressão, talvez muitos imaginem momentos felizes, momentos sem dificuldades ou momentos de tranquilidade. Mas a vida nem sempre acontece assim.
Todos nós enfrentamos desafios. Todos nós carregamos preocupações. Todos nós já passamos por momentos de sofrimento, insegurança ou tristeza. Mesmo assim, continuamos caminhando. E talvez seja exatamente aí que esteja o verdadeiro significado dos Dias de Alegria.
O verdadeiro significado de alegria
Na caminhada da fé, aprendemos algo muito importante. A alegria não nasce apenas quando tudo está bem. A verdadeira alegria nasce da forma como enfrentamos a vida. Um coração grato encontra luz até nos momentos difíceis.
O ensinamento de Oyassama nos mostra que devemos viver com sinceridade, aceitando cada acontecimento como uma oportunidade de crescimento espiritual. Muitas vezes, pedimos somente a felicidade. Mas Deus-Parens talvez esteja nos ensinando algo maior. Talvez esteja nos ensinando a fortalecer o coração. Porque um coração forte não nasce na facilidade; ele nasce na perseverança, na dedicação e na fé.
Sofrimento, gratidão e salvação
Vivemos em uma época em que muitos procuram resultados imediatos. Tudo precisa ser rápido. Tudo precisa acontecer agora. Mas o caminho espiritual é diferente. O caminho da fé exige paciência. Exige sinceridade diária. Exige o acúmulo constante de virtudes.
Para ilustrar isso, compartilho dois fatos:
* Fato 1: Durante quase 20 anos, adquiri mensalmente 2.000 jornais Tenri aqui no Dendotyo. Uma parte eu entregava aos fiéis e pedia que repassassem aos seus conhecidos. A outra parte usei para fazer a divulgação direta: distribuí mais de 1.000 jornais ao redor da Igreja, no portão da escola onde meus filhos estudaram, dentro do ônibus durante as minhas viagens, nos mercados e em aeroportos. Fiz essa panfletagem no metrô, em ônibus circulares e com colegas da época da faculdade, enquanto viajava para realizar cerimônias mensais em casas de fiéis e Casas de Divulgação.
* Fato 2: Costumo visitar pessoas que enfrentam problemas circunstanciais (como conflitos conjugais, desafios com os filhos, desemprego ou crises financeiras) e problemas de saúde. Elas desabafam sobre suas dores e, no final, dizem: “Não sei o que fiz para merecer essa situação”. Diante disso, eu proponho: “Vamos fazer uma reflexão com um minuto de silêncio”. Às vezes, a vontade humana é de dizer: “Se você não sabe, eu muito menos”. Porém, antes mesmo de completar esse minuto de silêncio, a pessoa começa a chorar. Por que isso acontece? No fundo, ela sabe a resposta, mas custa a admitir.
Talvez alguns aqui estejam vivendo dificuldades parecidas: problemas familiares, doenças, preocupações financeiras ou angústias silenciosas. Mas eu gostaria que cada pessoa lembrasse de algo neste dia: Deus-Parens nunca abandona um coração sincero.
Mesmo quando não entendemos os motivos das provações, existe uma proteção invisível conduzindo nossos passos. Quantas vezes já recebemos força sem perceber? Quantas vezes fomos amparados silenciosamente? Quantas vezes conseguimos continuar, mesmo achando que não seríamos capazes? Isso também é graça divina. E quando conseguimos agradecer até mesmo nas dificuldades, o sofrimento começa, lentamente, a se transformar em salvação.
Uma reflexão
Hoje, eu gostaria de fazer uma pergunta a todos: como está o nosso coração? Estamos vivendo apenas preocupados conosco mesmos ou estamos conseguindo olhar para o sofrimento das outras pessoas?
O ensinamento da Tenrikyo nos mostra que a verdadeira alegria nasce quando ajudamos na felicidade do próximo. Quando estendemos a mão, quando escutamos, quando confortamos e quando servimos com sinceridade. Um coração fechado se torna pesado, mas um coração dedicado à salvação se ilumina.
Talvez o mundo esteja precisando de menos críticas e de mais compaixão. Menos egoísmo e mais amor ao próximo. E talvez os verdadeiros Dias de Alegria comecem exatamente dentro do nosso próprio coração.
Quero finalizar deixando uma mensagem muito simples: os Dias de Alegria não significam a ausência de sofrimento. Os verdadeiros Dias de Alegria acontecem quando, mesmo diante das dificuldades, continuamos confiando, continuamos agradecendo e continuamos servindo.
Talvez alguns tenham chegado aqui hoje cansados, preocupados ou desanimados. Mas espero sinceramente que todos possam voltar para seus lares com um coração mais leve, com mais esperança, mais sinceridade e mais gratidão. Porque quando o coração muda, a vida muda. E quando a vida muda, os Dias de Alegria começam.
Muito obrigado!
*é diretor da Sede Missionária e condutor da Igreja Paineira