Paulo Haruo Kondo
Frequentemente há pessoas se queixando de alguma coisa, seja de uma simples dor ou de uma simples gripe, embora uma simples gripe nos deixe realmente prostrados e desanimados. Há também os problemas circunstanciais que são problemas invisíveis, sem um sinal definido como tosse e febre. Às vezes chamamos de dor no coração, dor da alma, que se não tratarmos, pode desenvolver um quadro de depressão (Dona Vera me alertaria: Você é médico?). Não sou médico. É que quando estamos nos sentindo assim, quase sempre não passa despercebido, fica “estampado” na nossa cara de maneira óbvia, ficamos com ar de estarmos amassados.
Claro que, na maioria das vezes, devido ao nosso dia a dia, estamos apenas cansados e bastaria algumas noites bem dormidas para nos recuperarmos. No caso, estou me referindo a insatisfação persistente (no trabalho e nos relacionamentos, principalmente). O condutor da igreja Campinas, em sua palestra (Jornal Tenri de julho 2017) disse: Em nossa caminhada na vida, como seres sociais que somos, temos que conviver com todo tipo de pessoas. Algumas nos são agradáveis, mas outras nem tanto. Porém, é desejo de Deus que convivamos com harmonia.
Lendo os episódios do livro Episódios da Vida de Oyassama, sobre mestre Lin Massui, seguidora de Oyassama, refleti.
No episódio 45 temos, “A salvação do homem segue esse mesmo princípio. Devem esticar as rugas do espírito com a razão da palavra. O espírito se ficar também cheio de rugas, seria tal como papel higiênico. Salvar dessa condição, sem jogá-lo é a razão desse caminho”.
E, no episódio 46 temos,
Certo dia, um devoto oferendou um grande peixe. Após a oferenda, Shuji pediu a Lin que o preparasse. Ela procurou uma faca para peixe, mas não a encontrou. Shuji disse-lhe: “Lin, procura uma faca? Na cozinha há uma faca grande. “Prepare o peixe com ela”. Não havia faca adequada para peixe.
Lin ficou sentida com essa situação e pediu folga e voltou para Kawati. Era justamente dia de feira livre em Yao. Foi imediatamente para lá e comprou vários tipos de facas, uma tesoura etc. Regressou à residência, levando-as de presente. Shuji e Matsue ficaram muito contentes. Shuji disse: “Mostrarei à avó essas coisas tão excelentes, venha comigo”. Ao se apresentar, Lin agradeceu-lhe pela folga. Oyassama aceitou o oferecimento e manifestou-se contente:
“Lin, você sempre se preocupa com tudo, não? Estou muito agradecida.”
Diz-se que Lin chorou de emoção diante de tão gratas palavras, curvando-se até tocar a testa no tatame.
Embora Oyassama tenha nos alertado sobre o desperdício de material, o outro aspecto é sobre a alma humana. Sobre a alma humana, Oyassama nos deixou o legado da vida-modelo. Se colocarmos na nossa mente que nos textos não há qualquer erro e que realmente são suficientes, começaremos a entender a importância da realização do Serviço Sagrado e da ministração do Sazuke.
Vou explicar o ponto de vista. Voltando aos episódios sobre Lin Massui, fica claro que somente a Mãe da Humanidade sabia exatamente sobre tudo que ela passou na vida, seus desejos e suas angústias e, nas palavras de Oyassama dirigidas a ela, expressava exatamente esse sentimento de compreensão plena.
Na vida, convivendo com outras pessoas, podemos sentir como um papel amassado, sem utilidade e sem valor. Oyassama transformou vadios em trabalhadores apenas dirigindo-lhes palavras afetuosas como: “Obrigada pelos seus esforços”. Regenerou ladrões com seu espírito amplo e perdoando o ladrão dizendo: “deve ter feito levado pela pobreza. Lamento por este espírito.”
Assim, ao servir à Oyassama, dedicando ao Serviço Sagrado e à salvação, através do dom do Sazuke, com certeza teremos uma compreensão mais profunda dos ensinamentos e nunca nos sentiremos como um papel amassado.
*é condutor da Igreja Seiki Brasil