Camila Suemi Suziki Yamasaki
Agosto foi o mês de conscientização sobre o aleitamento materno. Também chamado de Agosto Dourado, a cor simboliza o “padrão ouro” de qualidade desse alimento, considerado o mais completo para o início da vida. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida e a sua continuidade, juntamente com a alimentação complementar, até os dois anos de idade ou mais.
Pensar que um ser humano pode sobreviver durante os seis primeiros meses alimentando-se apenas do leite produzido pelo corpo da própria mãe é realmente extraordinário. Além de fornecer proteínas, vitaminas, gordura, água e todos os nutrientes necessários ao desenvolvimento, o leite materno fortalece o sistema imunológico, protege contra infecções e alergias, e reduz o risco de doenças crônicas ao longo da vida, como hipertensão, diabetes e obesidade. O ato também traz benefícios para a mulher, como o menor risco de hemorragia pós-parto e de câncer de mama e de ovário, além de fortalecer o vínculo entre mãe e filho. Somado a isso, pode ser considerado um alimento sustentável, pois não gera resíduos e não exige preparo, transporte ou embalagens, beneficiando a sociedade e o meio ambiente.
Apesar de ser um processo natural, apenas 48% dos bebês com menos de seis meses recebem leite materno de maneira exclusiva, pois essa prática não depende somente da vontade da mulher. Dificuldades como dor, fissuras mamárias, falta de informação e ausência de apoio fazem com que muitas mães interrompam a amamentação precocemente.
Sou enfermeira e mãe do Felipe, de 4 anos, e da Yuna, de 7 meses. Aprendi sobre o aleitamento materno e orientei muitas mulheres na Unidade Básica de Saúde onde trabalhei, e por isso acreditava que seria algo simples. No entanto, nos primeiros dias após o nascimento do meu filho, senti muita dor e surgiram fissuras. Foi com a paciência, a persistência e a ajuda das enfermeiras do hospital que amamentar se tornou algo prazeroso.
Quando vivenciamos a maternidade, passamos a compreender os sacrifícios, o amor incondicional e a imensa preocupação da nossa própria mãe por nós. A amamentação é só um pequeno exemplo de tudo o que o universo do maternar envolve. Dentro da doutrina da Tenrikyo, a dedicação filial é um dos ensinamentos fundamentais, que envolve reconhecer, com gratidão, a vida recebida por meio dos pais, além de todo o cuidado e dedicação desde o nascimento.
Amamentar nem sempre é fácil; exige paciência, apoio e informação. Ainda assim, é uma jornada que revela a força da maternidade e a extraordinária capacidade do corpo humano de nutrir uma nova vida. Vivenciar essa experiência novamente, agora com a minha segunda filha, é motivo de profunda gratidão.
“Os pais sentem prazer fazendo plenamente pelos filhos. Ao evoluírem, os filhos valorizam os pais com prazer: que prazer!”
(Indicação Divina de 14/11/1895)
Meu desejo é que possamos acumular méritos na alma de nossos filhos. Por existirem nossos pais, nós existimos, e a continuidade desse ciclo não é interrompida. Amamentar também é uma providência divina! Vamos agradecer, de coração, à graça de Deus, que muitas vezes nos parece ser tão natural!
(Camila Suemi Suzuki Yamasaki, é yoboku da Igreja Três Barras, enfermeira e colaboradora do Tasukeai)