rev. Yuji Murata
Expresso a minha sincera gratidão a todos pela dedicação diária e sincera ao Caminho. Hoje, me sinto imensamente feliz por minha esposa e eu podermos participar da cerimônia mensal de agosto do Dendotyo. Como o Primaz me solicitou que realizasse a palestra da cerimônia, gostaria de contar com a atenção de todos por alguns minutos.
No dia 26 de janeiro deste ano, celebrou-se em Jiba a cerimônia de 140 anos do ocultamento físico de Oyassama. Segundo o Departamento de Missões Exteriores, 2.034 pessoas vindas do exterior regressaram a Jiba, dentre as quais, 351 eram do Brasil. Este é o segundo maior número de regressantes, atrás apenas dos sul-coreanos. Além disso, dentre todas as Administrações Regionais do Japão (Kyoku) e Sedes no exterior, o Brasil teve o maior número de “Votos no Besseki”, com 76 pessoas, e o segundo maior número de pessoas que receberam o Sazuke, com 50 pessoas. Acredito que isso seja a prova da sinceridade de todos durante os três anos e mil dias de dedicação de todo o coração ao Caminho da Salvação, com o único desejo de tranquilizar e contentar Oyassama. Expresso aqui os meus sinceros reconhecimentos por essa dedicação.
Como lembrança da celebração dos 140 anos do ocultamento físico de Oyassama, o Shimbashira presenteou todas as igrejas com uma caligrafia contendo os dizeres “Dedicação sincera à Salvação - Dedicação sincera ao Serviço”. Após a cerimônia, o pessoal do Serviço, os condutores das igrejas diretamente ligadas à Sede e os chefes das Administrações Regionais (Kyokutyo) agradeceram ao Shimbashira no salão de reuniões da Sede, momento em que ele compartilhou suas reflexões sobre a escrita. Ele explicou que a “Dedicação sincera à Salvação” é algo que a igreja jamais deve esquecer, e que a “Dedicação sincera ao Serviço” é algo que a igreja jamais deve negligenciar.
A igreja deve ter em mente que a “Dedicação sincera à Salvação”, que significa dedicar-se a ajudar o próximo por gerações, e a “Dedicação sincera ao Serviço”, que significa unir as mãos e dedicar-se ao Serviço para animar e contentar Deus-Parens e Oyassama, são de suma importância em suas atividades.
Bem, voltando aqui depois de quatro anos, pensei bastante sobre o que deveria falar, mas percebi algo enquanto desempenhava minhas funções em Jiba e gostaria de compartilhar com todos.
Após o Serviço da manhã, todos dançam dois hinos acompanhando o som dos instrumentos masculinos no Recinto da Oyassama. Ao realizar este Serviço todas as manhãs, percebi que vários versos dos 12 hinos que Oyassama escreveu entre janeiro e agosto de 1867 estão diretamente relacionados a fatos históricos.
No Hino I, o primeiro verso diz:
“O Sazuke do Fertilizante no ano novo, como é extraordinário!”
Diz-se que a pessoa que recebia este Sazuke deveria misturar cerca de 500g de terra, cinzas e farelo de arroz e, solicitando a proteção de Deus-Parens, aplicar a mistura em sua plantação, recebendo o efeito equivalente ao de uma carga inteira de fertilizante comum, ou cerca de 140 quilos.
Nos episódios da Vida de Oyassama (12. Sazuke do fertilizante), está escrito:
Oyassama disse a Tyushiti Yamanaka:
“Ao seguir o caminho de Deus, poderá ser difícil adubar suficientemente a sua lavoura.”
E concedeu-lhe o Sazuke do Fertilizante, explicando:
“Embora se refira ao Sazuke do Fertilizante, não é a sua aplicação, mas a sinceridade verdadeira de cada um que surte efeito.”
Disse ainda:
“Experimente ver se é mentira ou verdade.”
Imediatamente, Tyushiti colocou adubos usuais em abundância em uma parte da roça irrigada de arroz e, na outra, aplicou apenas o Sazuke do Fertilizante, esperando pelo resultado.
Passou-se o mês de agosto e findou-se setembro. Na roça com adubos normais, os pés de arroz estavam bem crescidos e verdejantes, prometendo uma abundante produção no outono. Já na roça com o Sazuke, os pés eram acanhados, apresentavam uma cor um tanto amarelada e pareciam não ter viço.
Isso levou Tyushiti a duvidar: “Parece que os adubos têm melhor efeito do que o Sazuke.”
Todavia, na época da colheita, no outono, verificou que o arrozal adubado estava infestado de insetos e tinha muitos cachos vazios, ao passo que o arrozal com o Sazuke, apesar de apresentar pés menores, não tinha insetos nem cachos vazios. Afinal, a colheita provou que este último era realmente superior.
Este é um episódio em que o reverendo Yamanaka fez um teste dividindo um campo de arroz em dois: um com fertilizante comprado e outro apenas com o Sazuke do Fertilizante, confirmando que este era mais eficaz. O ponto importante aqui é que não é o método de aplicação que o torna eficaz, mas sim o fato de a pessoa que o recebe se esforçar diariamente com um coração sincero, que é a base para receber a proteção divina. Como muitos dos fiéis daquela época eram agricultores, eles certamente tinham grande interesse em fertilizantes, que afetavam significativamente a qualidade das colheitas. Creio que o primeiro passo para apoiar aqueles que iniciavam na fé foi justamente conceder-lhes o Sazuke do Fertilizante.
O Hino II começa com os versos:
“Ton ton ton, O iniciar da dança no ano novo, como é prazeroso!”
Depois de compor os doze hinos, Oyassama passou três anos inteiros criando a melodia e os movimentos das mãos.
Nos Episódios da Vida de Oyassama (18. Hinos da razão), está escrito da seguinte forma:
Quando os doze hinos sagrados ficaram prontos, Oyassama afirmou:
“Estes são os hinos do serviço sagrado. Experimentem todos cantar individualmente como desejarem, para ver como deve ser a melodia.”
Um a um, todos cantaram. Oyassama que estava ouvindo-os, disse:
“Todos cantaram, mas não é dessa maneira e sim deste modo.”
Cantou pessoalmente, em alta voz. Em seguida, afirmou:
“Estes são os hinos da razão, por isso, dança-se de acordo com a razão. Experimentem todos individualmente como acharem melhor, para ver como se deve dançar.”
Todos dançaram, cada um a sua maneira. Oyassama que os observava, disse:
“Todos dançaram, mas ninguém dançou de acordo com a razão. É assim que se dança. Não é dançar simplesmente. É representar a razão com os movimentos.”
Levantou-se e, demonstrando pessoalmente os movimentos das mãos, ensinou a todos.
Este episódio retrata vivamente as circunstâncias de quando a Dança das Mãos foi ensinada pela primeira vez. Esse hino mostra que, quando as pessoas começavam a praticar esta fé dançando ao ritmo do bumbo no início do ano novo, isso era algo imensamente feliz e animador sob a perspectiva de Deus.
No Hino I, verso 1, fala-se sobre o Sazuke, e no início do Hino II fala-se sobre o “Serviço”.
Os princípios fundamentais do “Caminho da Salvação” são revelados em primeiro lugar e, no Hino III, descreve-se o local onde o “Serviço” é realizado:
“Primeiro, Em Shoyashiki, na fonte do sol, o Local do Serviço é a origem do mundo.”
Isto está descrito em detalhes no Capítulo 4 da Minuta da Vida de Oyassama. Resumidamente, temos:
Em 25 de junho de 1864, quando Izo Iburi e sua esposa regressaram à Residência pela primeira vez para agradecer, disseram que desejavam construir um sacrário em gratidão pela salvação de Ossato por complicações do pós-parto. Oyassama respondeu: “Não necessito de sacrário, mas comecem uma obra, mesmo pequena.”
Quando perguntaram qual seria o tamanho ideal para a construção, ela respondeu: “Construam-na quadrada de um tsubo. Esta construção não é para habitação humana.”
E continuou:
“O acréscimo depende do seu espírito.”
Os registros indicam que os fiéis da época se reuniram e decidiram construir uma obra de 6,5 por 11 metros, resolvendo contribuir com as despesas, mão-de-obra, telhas, tatames, etc., e iniciaram os trabalhos. Todos se reuniram e ofereceram o que podiam, e a construção do “Local do Serviço” foi concluída. Isso foi descrito como algo maravilhoso. O mais importante nas Construções do Caminho é iniciá-las após concentrar toda a sinceridade das pessoas.
No Hino IV temos:
“Segundo, Estabeleçam a harmonia no espírito de ambos, toda e qualquer coisa se realizará.”
Diz-se que, quando um casal acalma seus corações e vive seus dias de acordo com esse princípio, coisas maravilhosas acontecem.
No episódio da Vida de Oyassama (9. Conforme o espírito dos pais), está escrito:
Em meados de julho de 1863, Yoshimatsu, o filho mais velho de Tyussaku Tsuji, então com quatro anos de idade, já em estado crítico e com o rosto pálido, foi levado nas costas da avó paterna, Oriu, à presença de Oyassama, que lhe disse:
“Que venha com a mãe ou o pai.”
Assim, ele foi levado nas costas da mãe, Massu, quando Oyassama lhe afirmou:
“Salvarei conforme o espírito dos pais.”
E foi completamente curado dentro de quatro a cinco dias.
Oriu amava tanto seu neto que foi à Residência no lugar da mãe, mas Oyassama explicou que ele deveria vir acompanhado pelos pais. É ensinado que, até os 15 anos de idade, as enfermidades dos filhos são o reflexo do espírito dos pais.
Além disso, durante a construção do Local do Serviço, houve quem abandonasse a fé devido ao nó decorrente do conflito com o Santuário Oyamato, e os únicos que concluíram a obra até o fim foram o reverendo Iburi e sua esposa, Ossato, que apoiou o marido em todos os momentos.
Juntos, dedicaram-se aos serviços de Deus e mantiveram um relacionamento harmonioso como casal; dois anos depois, em agosto de 1866, foram abençoados com o tão esperado filho.
No Hino V, temos:
“Segundo, Este é o local da salvação maravilhosa onde concedo a graça do parto e varíola.”
A “Permissão do Parto Feliz” é concedida em Jiba através da Oyassama eternamente viva e garante a proteção para um parto seguro. A razão pela qual é concedida em Jiba é por ser o local onde Deus-Parens reside e o lugar onde a humanidade foi concebida no momento da criação. Em 1854, a primeira Permissão do Parto Feliz foi concedida quando a terceira filha de Oyassama, Oharu, regressou à Residência para seu primeiro parto. No dia do nascimento, houve um grande terremoto e a parede da sala de parto desabou cerca de dois metros quadrados, mas Oharu deu à luz um menino de forma tranquila e fácil. No dia seguinte, Yuki Shimizu, uma aldeã que veio à Residência, ficou profundamente comovida pela proteção milagrosa que testemunhou ao ver Oharu de pé e trabalhando animadamente. Ela perguntou a Oyassama se também poderia receber tal proteção caso fosse solicitado por ela durante o parto, ao que Oyassama respondeu: “Será o mesmo”. Mais tarde, Yuki ficou grávida e solicitou a Permissão do Parto. Oyassama agiu da mesma maneira, soprando três vezes e alisando três vezes o ventre de Yuki, e explicou-lhe: “É absolutamente desnecessária qualquer cogitação humana. Ampare-se em Deus-Parens para que tenha um parto tranquilo.”
Yuki, embora tivesse recebido a permissão, não confiou completamente nas palavras de Oyassama e sujeitou-se aos costumes populares para o parto, tais como não comer certos alimentos considerados tabus e usar materiais de apoio. Acabou ficando 30 dias de cama com febre puerperal.
Então, pediu para consultar Oyassama, que disse:
“É porque ela teve espírito desconfiado.”
Yuki, ao ouvir estas palavras e profundamente impressionada com a sua exatidão, arrependeu-se do fundo do coração.
Isso está registrado na minuta da Vida de Oyassama.
O mais importante na preparação do parto é acreditar, sem desconfiar da proteção de Deus-Parens que criou o mundo humano. A Permissão do Parto Feliz abriu caminho para a Salvação Universal e, em 1862 e 1863, o nome “Deusa do Parto da Vila Shoyashiki” tornou-se amplamente conhecido em toda a região de Yamato.
“Hōso” refere-se à varíola. Embora a Organização Mundial da Saúde tenha declarado sua erradicação global em 1980, na época, essa doença era temida como uma enfermidade grave e potencialmente fatal. Mesmo que o doente sobrevivesse, dizia-se que as marcas da varíola jamais desapareceriam.
Como proteção contra a doença, ouve-se que no amuleto-prova entregue às crianças menores de 15 anos está contida essa razão.
No Hino VI, temos:
“Finalmente, Desta vez, isto se tornou visível. A consulta do leque, como é maravilhosa!”
De acordo com a Minuta da Vida de Oyassama, a partir da primavera de 1864, Oyassama concedeu o Sazuke do Leque aos fiéis mais fervorosos. Há registros de que 50 ou 60 pessoas o receberam. A consulta do leque refere- se a esse Sazuke, sendo considerada a mais antiga razão de Sazuke concedida por Oyassama. O ato consiste em segurar o leque concedido por Oyassama e interpretar a vontade de Deus-Parens através de seus movimentos. No entanto, diz-se que algumas pessoas começaram a usá-lo indevidamente para fins alheios ao auxílio ao próximo, e essa razão foi removida por volta do início da era Meiji. O Sazuke do Gohei é semelhante ao do leque, mas utiliza o Gohei (serpentinas de papel penduradas em um bastão) para interpretar a vontade de Deus através de seus movimentos.
Do Hino VII ao Hino XII, há menos versos que abordam fatos históricos em comparação com a primeira metade; o conteúdo é mais prático, com foco na construção do mundo. Dentre eles, identifiquei três versos.
Primeiramente, no verso 1 do Hino VII:
“Primeiro, Dizer uma palavra é hinokishin, Apenas deixa-se espargida a fragrância.”
No livro Episódios da Vida de Oyassama, há o seguinte relato (13. Deve semear):
Na Vila de Anryu, Região de Settsu, vivia o casal Tossuke e Tatsu Maeda que andavam vendendo sementes de flores sob a denominação comercial de Taneiti. Tiveram muitos filhos, um após outro, e não desejavam ter mais. No entanto, em 1865, Tatsu estava esperando novamente um bebê. Então, ouvindo que havia em Yamato uma divindade que fazia aborto, dirigiu-se para lá. Porém, lá não chegou.
Guiada por uma misteriosa força, chegou à Vila de Shoyashiki e foi conduzida à presença de Oyassama, que então lhe disse:
“A senhora é Taneiti. A senhora deve semear.”
“Como deverei semear?” - indagou Tatsu a Oyassama, que lhe ensinou:
“Semear significa andar percorrendo aqui e ali, falando de Tenri-Ô.”
E acrescentou referindo-se ao bebê que esperava:
“Não deve abortar a criança. A criança que vai nascer este ano será menino. É o sucessor da sua casa.”
Essas palavras tocaram o coração de Tatsu, que não só abandonou o pensamento de abortar como também foi contar o fato ao marido. Desde então, ambos regressaram a Jiba e foram instruídos várias vezes pela Oyassama.
A criança nasceu de um parto normal em 18 de junho do mesmo ano, e recebeu o nome de Tojiro.
Assim, ambos percorreram transmitindo o nome divino de Tenri-Ô-no-Mikoto às pessoas, enquanto vendiam sementes de flores. Além disso, quando havia algum doente, um deles regressava a Jiba para solicitar a graça. Então, qualquer enfermo era salvo um após outro.
Oyassama instruiu Tossuke Maeda, que trabalhava vendendo sementes de flores, a ir de um lado para o outro falando sobre Deus-Parens e espargindo a fragrância da fé. Esse episódio nos ensina que difundir os ensinamentos de Deus-Parens e Oyassama para aqueles que ainda não os conhecem também é uma forma de hinokishin, acumulando méritos que fazem brotar excelentes frutos.
O próximo é o verso 2 do Hino XI:
“Segundo, Marido e mulher juntos no hinokishin, isto é a primeira semente das coisas.”
A expressão “semente das coisas” significa “a origem de tudo”, a semente da qual brotarão as providências necessárias quando precisarmos.
Entendemos que o hinokishin realizado pelo casal em conjunto se torna a semente para receber a proteção divina, garantindo que nunca nos falte nada.
No livro Episódios da Vida de Oyassama (15. As sementes), relata-se:
Eram altas horas da noite de 7 de fevereiro de 1866. Oyassama já estava recolhida; no entanto ordenou:
“Retirem o vaso guardado debaixo do altar divino.”
Quando o vaso foi retirado, chamou Tyushiti Yamanaka e explicou:
“Até agora entreguei-lhe várias permissões. No entanto, dizendo apenas em palavras, não entenderá. Poderá preocupar-se pensando que terá dificuldades materiais ao seguir o caminho de Deus. Não é preciso preocupar-se com nada. Entregarei a prova segura, segura, de que não terá dificuldades, mesmo querendo.”
Deu-lhe o vaso e, ainda, dirigiu-lhe estas palavras:
“Estas sementes virão a aumentar de um grão para milhões de vezes. Deverão ser cultivadas na residência de Tyushiti da Vila de Mamekoshi.” (O restante foi omitido.)
Este era um catálogo de sementes perpétuas, escrito pela própria Oyassama, contendo “sementes de trigo”, “sementes de arroz”, “despesas de medicamentos” e “despesas de saquê e sementes para óleo”.
Como sementes são sementes, nada crescerá a menos que sejam plantadas. Em nossa fé, simplesmente conhecer os ensinamentos não basta; não podemos receber a proteção de Deus a menos que realmente pratiquemos o hinokishin e semeemos as sementes da verdade no solo divino. É o ato de dedicar-se com sinceridade a Jiba e à Igreja que se torna a semente da nossa fé.
O último é o verso 1 do Hino XII:
“Primeiro, Primeiramente, à consulta do carpinteiro, deixo confiadas todas as coisas.”
Acredita-se que este verso seja sobre o reverendo Izo Iburi, um mestre carpinteiro. Ele iniciou-se na fé por volta de maio de 1864, devido a complicações no pós-parto de sua esposa, Ossato. Quando Kokan o recebeu e o apresentou a Oyassama, diz-se que ela se alegrou, dizendo: “Afinal! Afinal! Eu o estava esperando! Estava o esperando!” — e manifestou: “O esperado marceneiro apareceu. Os deuses de todos os lados o estavam esperando, batendo as mãos.” Apenas três anos após iniciar-se na fé, ele conquistou a total confiança de Oyassama, que declarou: “Confio tudo à orientação do carpinteiro.”
Especificamente, em julho de 1864, o casal recebeu o Sazuke do Leque e o Sazuke do Gohei. Ou seja, eles consultavam Deus-Parens sobre várias questões e, através dos movimentos do leque e do gohei, interpretavam a vontade divina. Como mencionei no último verso do Hino VI, algumas pessoas começaram a fazer uso indevido dessa graça, o que levou Oyassama a remover a razão, mas ela permitiu que o reverendo Iburi continuasse usando o Sazuke do Leque. Em segundo lugar, em 1875, ele recebeu a “Permissão da palavra”, permitindo-lhe transmitir as instruções de Deus não apenas pelo movimento do leque, mas também por palavras. Mais tarde, em 1887, após o ocultamento físico de Oyassama, ela fez com que o reverendo Iburi continuasse concedendo o “Sazuke” através da Oyassama eternamente viva e, na posição de Honseki, ele transmitiu os “Ossashizu” (Indicações Divinas).
No Capítulo 4, “O Local de Serviço”, da minuta da Vida de Oyassama, consta:
Em 26 de dezembro, quando Izo Iburi ia voltar para o seu lar na Aldeia de Itinomoto, após terminar o último Serviço mensal do ano, Shuji disse-lhe: “Nada podemos fazer se for embora.” Izo respondeu-lhe: “Espere-me que voltarei logo.” (..) No dia seguinte, voltou à residência divina e logo foi à madeireira e à olaria para solicitar a prorrogação do prazo do pagamento, justificando: “Talvez tenha ouvido falar do caso do Santuário de Oyamato que nos fez acumular muitas despesas e ficar impossibilitados de pagar agora. Ouvi dizer que, desde que se iniciou na fé até se mudar definitivamente para a Residência, ele a visitava todos os dias, sem falta, dedicando toda a sua sinceridade. Ele serviu de uma forma que o Parens podia confiar plenamente em suas atitudes.
Espero que todos vocês também trilhem o Caminho da evolução espiritual, animados, para que possam ser considerados pessoas de confiança. Com isso, encerro a minha palestra. Agradeço a atenção de todos.
*é diretor da Sede da Igreja e primaz anterior da Sede Missionária do Brasil