No dia 10 de outubro, na Sede Missionária, Dendotyo do Brasil, recebendo de regresso cerca de 850 irmãos do Caminho, vindos de diversas localidades, foi realizada a Assembleia Geral da Associação dos Fiéis do Brasil, Yonomotokai, do ano 189 R.D.
Inicialmente, a partir das 14h00, no Recinto de Reverência, foi realizado o ensaio do Serviço Sagrado, através de treze trocas, do Hino Yorozuyo ao Hino XII, dando oportunidade a muitos associados subirem ao tablado principal da Sede Dendotyo. Apesar da ansiedade e nervosismo, o Serviço foi executado com alegria e em união espiritual.
Em seguida, houve o relato de experiência de dois associados: da senhorita Kely Marie Tanoue, kyoto da Igreja Tsu Hakuryu, e do jovem Leonardo Takuya Matsusaki, kyoto da Igreja Taimo. (veja os resumos das duas preleções na página ao lado).
Por fim, o Primaz da Sede Missionária, Alexandre Kaoru Murata, também presidente da Associação dos Fiéis do Brasil, agradecendo a presença e participação de grande número de fiéis na Assembleia, falou da importância de buscar sentir a razão do Serviço Sagrado, cantando e acompanhando os versos e a tradução dos hinos sagrados apresentados nos monitores do recinto, aproveitando um recurso que é exclusivamente utilizado pelas igrejas do Brasil.
À noite, após o Serviço vespertino, a partir das 19h00, houve o tradicional Festival Tenri Matsuri, realizado entre as ruas Tenri e Militino Martins. Coordenado pela Associação dos Moços, o evento contou com a colaboração das regionais e igrejas que ofereceram entretenimentos e alimentos em 23 barracas. Ainda, no palco do Festival também houve a apresentação artística de variados grupos. Fiéis regressantes ao Dendotyo, somado a um grande público externo tiveram uma noite de muita descontração.
Kely Marie Tanoue
Eu não nasci na Tenrikyo e conheci a igreja por minha irmã. Em 1996, ela estava grávida quando descobriu que o marido tinha câncer e precisou ir ao Japão. Fiquei revoltada: como uma pessoa que se dedica tanto pode sofrer essas coisas? A “mamãe” (esposa do primeiro condutor) disse que eu seria a ligação dos meus pais com a igreja, mas eu achei aquilo muito forte.
Depois, meu cunhado e meu pai vieram a retornar, e eu pensava: “A gente faz e faz, e acontecem essas coisas”. Durante cinco anos, a “mamãe” insistiu para eu fazer o Curso de Formação Espiritual, Shuyokai, até que algo tocou meu coração e eu decidi ir. Quando voltei, tudo continuava igual, só que o meu olhar tinha mudado. Voltei a ajudar na banda Koteki e na igreja.
Em 2006, regressei a Jiba, me tornei Yoboku, e percebi que Oyassama estava ao meu lado, sendo usada pela “mamãe”. Em 2016, uma pessoa pagou minha passagem para um novo regresso a Jiba, quando participei do Curso de Habilitação para Kyoto. Ao voltar, pedi: “Me mostra alguma coisa”, e decidi ajudar na cozinha do Dendotyo por três anos. Os três anos viraram dez, porque estar lá é muito gratificante.
Depois, uma amiga me convidou para participar do Curso de Habilitação para Condutor de Igreja. Achei impossível, mas pedi a Oyassama que fizesse alguma coisa acontecer. Num bingo, ganhei um valor equivalente à metade da passagem. Com brownies, rifas, pedidos e o incentivo de quem dizia “Keke, não desiste”, consegui completar o valor. No sábado que vem, estarei viajando de regresso a Jiba para fazer o curso; mais uma vez, não por mim, mas pela Oyassama. Acredito, com gratidão, que Deus se manifesta através das pessoas.
Se cada pessoa buscar em você o que te faz feliz, o mundo pode se tornar, agora, um mundo de plena alegria e felicidade. Oyassama está olhando; pega um tempinho, conversa com ela, que ela é demais.
Leonardo Takuya Matsusaki
Boa tarde, meu nome é Leonardo Takuya Matsusaki, sou da igreja Taimo. Passei quatro anos no Japão estudando japonês e me aprofundando nos ensinamentos da Tenrikyo. No último ano, fui voluntário na Casa Missionária de Okayama, onde pratiquei a dedicação única à salvação.
A rotina era intensa: vivíamos simples, jejuávamos o almoço e realizávamos diariamente a divulgação, espargindo a fragrância da fé. No início, foi difícil bater de porta em porta com fome e sob calor de até 40 °C, enfrentando rejeições. Com o tempo, compreendi três sentidos do missionamento: praticar a vida-modelo, reconhecer minha predestinação pela salvação mútua e acompanhar Oyassama, eternamente viva.
Ao ministrar o Sazuke a pessoas com paralisia ou fraqueza, refleti sobre a gratidão por poder me mover e sobre a necessidade de cultivar humildade, respeito e confiança em Deus-Parens. Aprendi que, ao salvar os outros, salvamos a nós mesmos, e que não trabalhamos sozinhos: somos instrumentos de Oyassama.
Durante esse período, conduzi doze pessoas a Jiba para a primeira preleção do Besseki. Uma delas conhecia a história de Miki Nakayama e havia sonhado com Oyassama antes de minha visita. Outra foi a senhora Tanaka. Embora inicialmente desconfiasse das religiões e recusasse o Besseki, mantive o convite aberto. Depois, ela telefonou querendo regressar a Tenri. Aos poucos, passou a ouvir as preleções, amadureceu espiritualmente e, em 5 de julho, nasceu como Yoboku.
Essa experiência mostrou-me que não devemos escolher quem abordar nem esperar o cenário perfeito. Deus-Parens aproxima as pessoas conforme suas predestinações; nossa missão é acolher quem sofre, independentemente de ingressar ou não na fé, e evoluir junto.
Todos estamos aqui, graças à coragem de missionários que atravessaram o oceano para transmitir os ensinamentos de Oyassama no Brasil. Desejo que essa chama da fé transborde e acolha mais pessoas. Conto com o apoio dos senhores para evoluirmos mutuamente rumo à vida plena de alegria e felicidade. Obrigado!